sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ciclotur pioneiro pelo Sertão da Bocaina.

O objetivo desta cicloviagem: Sair do início da Rodovia dos Tropeiros (Estrada Real), a partir da Via Dutra,  e Chegar ao Sertão da Bocaina, SP-247, Estrada do Sertão, Km 28.

 

Cicloviagem programada para dois dias de pedal, divididos em 85 Km no primeiro dia e os demais Km, em torno de 65, no segundo dia de pedal. Um dia de descanso no Camping Chez Bruna em pleno Sertão da Bocaina. No domingo 31/03 pedal de retorno até Bananal, almoço e retorno de carro para São Paulo.

 

As cidades pelas quais passaremos são: Silveiras, Areias, São José do Barreiro, Arapeí e Bananal. Todas no Estado de São Paulo. 

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 Clique nas fotos para ampliar.

(As fotos sem marca d'água são de propriedade de Fábio Almeida).



Tudo começou a mais ou menos um mês, quando o amigo e parceiro de pedal Fábio Almeida me falou sobre a vontade de fazer esse percurso. A princípio nada ficou acertado, apenas a sempre e constante vontade de cicloviajar.

Pouco tempo mais tarde ele me falou se dava para a gente fazer esse pedal no feriado de Páscoa. Evidente que aceitei, pois recusar um pedal desses é quase impossível.

Marcamos a saída para o dia 27/03/13, uma quarta-feira. Sairíamos de São Paulo de carro até Lorena, onde pernoitaríamos, dando início ao pedal na quinta-feira, dia 28, no acesso á Rodovia dos Tropeiros, em Cachoeira Paulista.
Ah, como demorou para chegar o dia 27! Parece que ia chegar 2014 e o dia 27/03/13 não chegava! Mas, apesar de toda a ansiedade tão almejado dia 27 chegou, ufa!
Era mais ou menos 15h30m quando o Fábio chegou em casa para me pegar. Colocamos a Mentika no teto do carro, demais tralhas no porta-malas e saímos em direção á Rodovia Airton Senna da Silva. Agora era acelerar até Lorena-SP onde faríamos o primeiro pernoite.



Praça e Rua de Lorena, SP.



Chegamos em Lorena por volta das 19 horas, onde fomos muito bem recebidos pela Tia Shirley e o Tio Luiz. Conversamos um pouco, tomamos um lanche e fomos para a cama. Um dos primos do Fábio, o Karol iria nos pegar por volta das 6 da matina no dia seguinte. 

5h30m da manhã seguinte os celulares despertaram ao mesmo tempo, impiedosos, quase nos empurrando para fora da cama. Lembrei do desenho do Pica Pau com seu despertador maluco, que toca corneta, canta o galo e para finalizar tem uma marreta de madeira que bate na cabeça do pássaro ainda sonolento.

Café tomado, subimos no carro e partimos para  Cachoeira Paulista, SP, pela Via Dutra. Pouco tempo depois estávamos no acesso á Rodovia dos Tropeiros.


Aqui começa mais uma aventura.


O tempo estava agradável e o Karol ainda brincou conosco dizendo que iríamos tomar chuva nas cabeças.
Estávamos tão entusiasmados que, ainda que chovesse canivete, continuaríamos com a mesma motivação.
Combinamos que pedalaríamos uns 85 Km e procuraríamos um lugar para montar as nossas barracas. Uma fazenda talvez nos acolhesse e nos desse pouso, ou nos permitiria pelo menos montar as nossas barracas para repousarmos.
Eu estava levando 11 Kg nos alforges, fora a barraca, saco de dormir e colchonete que iam no bagageiro da frente. Mais uns 4 Kg, mais ou menos. No total, uns 15 Kg de bagagem, fora a bike e o biker, teriam que chegar ao seu destino.

E assim lá fomos nós proseando e sorrindo enquanto pedalávamos calma e prazerosamente! O Fábio é um excelente companheiro de pedal. Cicloturista experiente está sempre presto em ajudar o companheiro, mantendo-se calmo e sempre em alto austral.

A estrada não tem acostamento nem é tão larga, mas o movimento tranquilo de carros de passeio e os poucos ônibus e caminhões contribuem para um pedalar sossegado e quase sem nenhum risco.


O cãozinho deitado sossegado no meio da estrada corrobora as minhas palavras.



As primeiras placas indicativas.




Igreja N. Sra. da Santa Cabeça.




Camela do Fábio.





As belas paisagens se sucedem. Como dizia um amigo: 
"É tanto verde que até parece que não existem mais cores".







O "Sombra" não perde tempo. Está sempre pedalando junto conosco.




Opa, chegando em Silveiras!



 O tropeiro antigo e o moderno. O moderno usa a bicicleta como meio de transporte.

No Sertão da Bocaina uma senhora disse: 
"Estou admirada como vocês conseguem arrumar e carregar tudo isso numa bicicleta!"






Em Silveiras paramos para tomar um lanche. Coxinha, misto frio e coca-cola fizeram parte do cardápio. Reabastecemos a água, pois o sol já estava bem quente. Paramos uma meia hora e retomamos o pedal pela estrada. Ainda tinha muito chão para ser explorado e pedalado.















A estrada parece não ter fim.







Em Areias, o belo portal de entrada. Acesso para Queluz, SP.



,


 




A pista nova Areias-Queluz. Muito bonita, com pouco movimento naquela hora.




Crianças felizes se divertem no acostamento apostando corrida com suas bikes simples.





Para Areias só 2 Km.



Em Areias paramos apenas para renovar os estoques de água e pé na estrada. A estrada tem longas subidas e belas descidas, formando um belo tobogã.
Como as descidas são fortes, descíamos a toda velocidade, tomando conta de toda a pista, principalmente nas curvas. Dois fatos curiosos se destacam em duas descidas longas, quando descíamos á toda velocidade.
Olhei no espelho e vi que uma moto se aproximava. Continuei descendo a mil, haja vista que havia espaço suficiente para a moto me ultrapassar. Passaram-se alguns segundos e, não obstante eu ouvia o barulho do motor da moto ao meu lado, ela não me ultrapassava. Resolvi então virar a cabeça para o lado e ver o que estava acontecendo. Foi hilário!: O motociclista estava ao meu lado com a mão esquerda para o alto vibrando em sinal de positivo. Assim que terminou a serra ele buzinou me ultrapassou finalmente e sumiu no estradão.

Pouco tempo depois, outra descida de serra e lá fomos nós de novo a mil por hora. Olhei no espelho e vi que um Uno Vivace se aproximava. Fiz uma curva a esquerda tomando toda a pista e encostei para que ele passasse entre aquela curva e a outra que se aproximava. O motorista freou e ficou atrás da bike numa boa enquanto eu tomava conta de toda a pista nas curvas que se sucederam. Ao final da serra ele buzinou, me ultrapassou e foi embora.

Na estrada, cicloviajando a gente sempre se depara com fatos inéditos ou inesperados que chamam a nossa atenção. Graças a Deus a maioria absoluta desses fatos são positivos o que nos estimula mais e mais a colocarmos as nossas bikes na estrada.

Curva á direita, curva á esquerda, sobe, desce e São José do Barreiro se aproxima. 
Estamos quase atingindo a nossa meta de 85 Km.




 Uma "árvore vila" de Joões-de-barro. Registramos seis ou sete casinhas na mesma árvore.
 Uma maravilha da natureza!



E o cansaço começou a chegar. O sol quente aliado ao tobogã começou a minar as nossas forças. Acordamos em dar uma parada para um cochilo. Paramos sob a sombra farta de um taquaral. O chão estava úmido, então arrancamos algumas touceiras de capim e providenciamos nossos sofás-cama para o descanso.
Ficamos por alí uns 45 minutos em silêncio, meio dormindo, meio acordados. Apenas o som de carros passando pela estrada e os pássaros canoros interrompiam o nosso cochilo. Um sujeito engraçadinho numa van deu uma sonora buzina, a qual me trouxe de volta á realidade. Já bem descansados, resolvemos fazer um café para acabar de espantar o sono. Aliás, resolvemos não é bem o termo certo, o Fábio resolveu e eu o acompanhei na empreitada.
Acendemos a espiriteira, arrumamos alguma coisa para interromper o vento e quando o Fábio voltava da bike com a cafeteira pronta, eis que surgem meia dúzia de cãezinhos para alegrar o nosso café. Chegaram fazendo festa como se já nos conhecessem de longa data.
No final, tadinhos, tivemos até que ralhar com eles para que não fuçassem em nossos alforges em busca de comida e não fossem para a pista onde os veículos com certeza os atropelariam. Infelizmente não tínhamos como alimentá-los naquele momento. Olhei pela porteira e vi uma casa e algumas pessoas. Era dali que eles provinham, com certeza.


Fábio e os cãezinhos. Amigos para sempre!



Eta cafezinho bão!

 
Ainda tive tempo de fotografar essa vespa gigantesca, que em meio ás folhas secas do bambuzal, procurava alguma aranha para alimentar suas futuras larvas.


Tomamos o café, arrumamos as nossas coisas e partimos para mais uma etapa da viagem. Sentimo-nos revigorados após mais de uma hora de pausa. Aliás, recomendo a todos os cicloturistas sempre uma boa pausa para espantar o cansaço. Se possível, até um cochilo de uma hora é bom demais para repor as energias.

Saímos pedalando devagar, sem forçar a musculatura que estivera um bom tempo em repouso. Estávamos tão bem que parecia que estávamos inciando a cicloviagem daquele ponto!













Chegando em São José do Barreiro, SP. 





Portal da Cidade.









Cine Teatro São José, fundado em 1926.




A beleza da estrada continua.











Parece que o céu está para chuva, né?



Ledo engano! Foi só um close na máquina fotográfica.




A partir desse momento já havíamos cumprido a meta para o primeiro dia: 85 Km. 

Precisávamos arrumar algum lugar para armar as nossas barracas e passarmos a noite. Já era de tardezinha, a noite se aproximava e eu consultei as minhas pernas: Estavam quase perfeitas! Sugeri ao Fábio que fôssemos tocando até Bananal, mesmo que chegássemos á noite. O Fábio pensou, pedalou mais um pouco sem responder, ponderou e finalmente disse que topava a parada. Ah, eu sabia!
Contudo logo a frente avistei uma escola e um senhor que parecia ser o caseiro. Paramos e fui até o portão. Perguntei-lhe educadamente se poderíamos armar as nossas barracas por ali para passar a noite. Ele respondeu secamente: "Em Arapeí tem pousadas!" Não havia a menor dúvida que aquilo significava NÃO! Perguntei então a quantos Km fica a cidade de Arapeí. A resposta foi: Uns 8 Km. Agradecemos e fomos embora.

Acordamos então que estávamos bem, embora um pouco cansados, mas que poderíamos procurar alguma pousada mais em conta em Arapeí. 
Pedalar até Bananal não era seguro em virtude da noite e a estrada não ter acostamento.

Lá vamos nós então para Arapeí.


Lanternas acessas, creio que uns poucos Km mais de pedal e estaremos em Arapeí. 









Na cidade perguntei ao dono de uma Padaria e Lanchonete onde poderíamos encontrar uma pousada com preço bem acessível. O Sr. que nos atendeu, indicou uma pousada que ficava atrás da Igreja. Deveríamos procurar a Sra. Iza. 
A Igreja fica no alto da cidade, mas põe alto nisso! Se sentar no selim da bike cai para trás com certeza! Lá fomos nós morro acima empurrando as nossas bikes em direção á Igreja. Lá no alto perguntamos para alguns meninos que brincavam na rua e eles nos disseram onde ficava a aludida pousada. 
Trata-se da Pousada MM. 
Quem nos atendeu foi o Sr. Milton, um senhor muito gentil e educado.
Conseguimos com ele um quarto com porta para  rua, de maneira que poderíamos por as nossas bikes no quarto. Quanto ao preço, ele fez R$ 30,00 per capita com café da manhã.
Nem choramos esse preço! Vai que ele resolve mudar para mais!

O quarto tinha duas camas de solteiro, um beliche, TV, ventilador, banheiro e box de chuveiro. Tudo com toalhas e roupa de cama incluso no preço.
Honestamente mais barato que muitos Campings, que cobram mais que isso só para armar a barraca!

Que delícia! Guardarmos as nossas bikes, tomarmos um belo e prazeroso banho quente para então sairmos a procura de um jantar ou mesmo um lanche caprichado. Assim o fizemos. Não encontramos janta, pois era dia de semana e mesmo nos fins de semana fomos informados no restaurante local que eles não servem janta, só almoço.
O Sr. Milton tem um genro que possui uma lanchonete próximo á Praça Alambary, no centro da cidade. Rumamos para lá e nos empanturramos de X-Bacon com dois hambúrgueres, ovos, etc.

O genro do Sr. Milton, até dois anos atrás vivia como taxista em São Paulo, portanto, entramos num gostoso bate-papo enquanto fazíamos as nossas refeições. É bom lembrar de Sampa quando se está longe dela!
A missa noturna na Matriz de Arapeí.
 


Pousada MM.


 
Terminado o nosso "jantar" voltamos para a pousada para bom sono que nos apetecia. Precisamos descansar para a parte mais dura da cicloviagem.

 Assim, após pedalarmos  95,890 Km, 10 Km a mais do que a meta, passamos a disputar quem roncava mais naquela quarto!

Altimetria do primeiro dia de pedal:



O dia seguinte... ah, o dia seguinte! Eu sei que vocês estão curiosos para saber como foi o dia seguinte e até os demais dias. Afinal olhem só as amostras:


O lauto almoço, com direito a ovos caipira fresquinhos.



Subir, subir e subir...


 Para ver o mundo aos nossos pés!









Para ir para o dia seguinte clique AQUI

Os demais dias serão emocionantes, não percam!

Por hora, um grande abraço do...


9 comentários:

PEDALADAS. disse...

Eita passeio bãoo sôh!!!
Belo relato e fotos sempre bonitas.
Abs.
Marcelo

PEDALADAS. disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Gilmar Doistempos disse...

Parabéns Fábio e Waldson, linda aventura.

Que fotos!

Esse lugar passa um ar de felicidade.

Cuidado ao descansar embaixo de bambuzais ou
taquarias. As cobras corais adoram esse habitat.

[]s Gilmar.

joaoramalho63 disse...

Parabéns, Waldson!

É tudo maneiríssimo!... o relato... as fotos... mas o mais legal de tudo é como você consegue fazera coisa parecer fácil e sempre prazeirosa.
Nasceste pra isso, companheiro... só que demoraste um pouco pra descobrir, kkkkkk...
Show!
Quero o "segundo tempo"!!!

Grande abraço.

Fábio Almeida disse...

Agora pude ler com calma seu relato, Waldson. Muito obrigado pelas generosas palavras. No meu entender, quando a gente se sente a vontade com o parceiro de pedal, tudo fica mais fácil.
Grande abraço e vamos para a próxima!

Gerson Moraes disse...

É muito bom ler seus relatos e no meu caso ficar comparando minhas fotos com as suas, pois já passei de moto em quase todos os lugares onde você já passou de bike, essa estrada é linda demais! e entre Bananal e Lídice / Angra fica mais bonita ainda! Parabéns por viver este lugar!

Waldson Gutierres disse...

Obrigado meus amigos pela visita e pelo prestígio.

Sinto-me feliz por ter participado deste ciclotur, juntamente com o Fábio e poder dividí-lo, ainda que virtualmente, com todos vocês.
Trocando essas experiências vamos nos incentivando uns aos outros a nos lançarmos nessas belas e prazerosas aventuras.
Os demais dias foram talvez mais puxados, mas consequentemente mais emocionantes.
Obrigado a todos(as) e um grande cicloabraço!

Wendell Raphael disse...

Grande Waldson, parabéns por mais uma cicloviagem de sucesso!

Há algum tempo eu cogitei fazer essa rota saindo do Rio de Janeiro, via Angra e Rio Claro (RJ), e entrando em Bananal e depois Arapeí. Como minha maior vontade era atravessar a divisa de estados, então optei pelo caminho da Rio-Santos até Ubatuba mesmo, mas o seu relato e suas fotos "reacenderam" essa antiga vontade, acho que começarei a me planejar novamente...

Achei interessante no seu relato quando você se refere ao seu amigo como "Alto austral". Logo lembrei da Carretera Austral, também é bem alta! Quisera um dia eu também poder estar em alto austral! :D

Abração, fique com Deus, boa sorte e excelentes cicloviagens!

Ivy Castro disse...

Adorei essa viagem Waldson...Tudo lindo demais!!!
Eu fiz a Travessia da Serra da Bocaina a pé, a famosa Trilha do Ouro..Entrei por São José do Barreiro e terminamos em Mambucaba (Angra-RJ)...É tudo simplesmente lindo!!!!
Acho que depois vou querer saber esse roteiro detalhadamente :)
No cicloturismo, eu e meu marido somos iniciantes, mas já estamos apaixonados...louca que chegue logo meu período de férias para podermos fazer um trajeto mais longo, onde poderemos dedicar mais dias a esta maravilha.