sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pedalando de Charqueada, SP para Analândia, SP - 150 Km. - Parte II

Bom, amigos e amigas, vamos retomar o relato desta prazerosa cicloviagem. Lembram-se que eu comentava ter chegado a Rio Claro, mas precisamente à Rodovia Washington Luiz? Então é daqui que recomeçamos.




Bem, o fato é que poucos minutos antes, no trevo que dá acesso à rodovia, parei numa borracharia e lanchonete, tomei um café e comi um salgado, contrariando os meus objetivos de não gastar mais que o estritamente necessário. Nos meus alforges haviam dois bigs pães com mortadela e eu havia dito a mim mesmo que apenas compraria uma lata de refrigerante zero, na estrada, para acompanhar os lanches. Mas, eu estava com fome e não de pão com mortadela, ahahahah!

Bom, voltando à rodovia, a Washington Luiz tem bastante trânsito, principalmente de carretas, mas confesso, é uma excelente estrada para se pedalar. Olhem só o acostamento na foto acima: lisinho do jeito que a gente gosta!












Fui curtindo a estrada e as paisagens. Não havia vento nem contra, nem a favor e o sol não estava tão quente de maneiras a apresentar desconforto. A Nanika deslizava suavemente sobre o asfalto. 
Já me aproximava da Serra quando a água acabou. Levei apenas uma caramanhola com 750 ml. Que vergonha, Antigão, pensava eu, você que sempre recomendou aos amigos cicloturistas para levarem sempre no mínimo duas caramanholas!!! Mas fazer o quê? Como diz a propaganda: Sede é soda!

Assim, com a garganta implorando por um copo d'água, encarei a serra de 4 Km. A cada pedalada meu corpo dizia água, água, água. Algumas carretas buzinam em sinal de ajuda, outras expelem um fumaceiro negro e pegajoso em direção da gente e assim a gente vai subindo, subindo até que a estrada vai ficando mais plana e... olha lá o Posto da Polícia Rodoviária! Isso significa água!
Quando pedi para o Policial Rodoviário para pegar um pouco de água, estava me referindo a uma torneira qualquer. Mas o Policial muito amavelmente me indicou um bebedouro interno com água gelada. Ah, bebi até me fartar e enchi a caramanhola. Agradeci a gentileza e saí para ir ao banheiro.
Sentei-me num banco à sombra e fiquei ali largado, pensativo, descansando relaxadamente.
Não tirei fotos do posto policial, pois sei que não é permitido. Logo retomei o pedal no sentido Itirapina.



Antes de chegar no trevo ainda parei mais uma vez na estrada e tomei um suco de garrafinha, numa barraquinha á beira da estrada. Lá haviam alguns caminhoneiros tomando lanches e sucos e entramos num bom papo. Ficaram surpresos por verem um cicloviajante idoso e teceram inúmeros comentários e elogios. A maioria sempre diz: Eu tenho metade da sua idade e não consigo pedalar nem um quilômetro!
Na saída todos me desejaram uma boa viagem.

Opa a saída! Agora vamos ver se o meu sobrinho estava certo ou não.





Ainda bem que meu sobrinho me alertada sobre a reforma dessa estrada. 
Como eu poderia perder um acostamento tão lisinho como este?









Enquanto pedalava alegremente por aquele asfalto novinho, no céu se desencadeava um grande espetáculo: Os aviões da Esquadrilha da Fumaça faziam belas acrobacias. Havia momentos que eu até parava a bike para vê-los mais atentamente. Parecia que iam bater de frente e desviavam no último instante. Fantástico! Voavam de cabeça para baixo, enfim, um verdadeiro espetáculo que eu podia assistir gratuitamente. Que bela acolhida!



Já posso ver o meu destino: Ao fundo o Morro do Cuscuzeiro.



E assim cheguei a Analândia e a estrada de terra que me levará ao sopé do Morro do Cuscuzeiro, onde montarei o meu acampamento.



A "estrada de terra" se transformou na "estrada de areião", aí o bicho pegou! Decididamente pneu 20 X 1,50 não foi fabricado para andar em areião. Eu tentava, derrapava, atolava, quase caía e então empurrava. Pô, empurrar na areia é tão complicado quanto pedalar na areia! Que sufoco bem agora que eu estava quase chegando! 




A antiga estação ferroviária. Naquele tempo a cidade se chamava Annapolis.



O velho trem luxuoso me fez lembrar que na minha infância cheguei a viajar nos carros iguais a esse. Mairinque a Jundiaí em Maria Fumaça, São Paulo a Baurú em máquina a óleo diesel, dentre outros. Um sujeito bonachão, vestido de quepe e jaleco branco vendia refrigerante e sanduíches de mortadela se equilibrando milagrosamente no meio dos vagões. Bons tempos.



 Mas, saudosismos á parte, cheguei ao meu destino. Foi difícil empurrar a bike carregada estrada acima no meio daquela areia que me irritava muito. Nem tudo é tão fácil. Foi para compensar a estrada reformada e farto acostamento que me privilegiara nos últimos 15 Km. Mesmo assim eu estava feliz. Até festa de aviões da Esquadrilha da Fumaça eu presenciara. Quer mais?
Ali estava diante de mim o majestoso Morro do Cuscuzeiro.

Chamei na entrada do Projeto Pedra Viva e o Sr. Odair veio me atender. Disse que como se tratava de dia de semana tudo estava fechado, exceto o Camping. Como eu estava sozinho, se quisesse poderia armar a barraca sob o alpendre do lado dos tanques e pias. Agradeci e saí pedalando para o gramado. E como podem ver na foto abaixo,  que gramado!!!








Como a minha Falcon 2 é auto-portante, num instante montei a barraca sob o telhado. Nem precisei colocar o sobre teto. Em seguida fui tomar um banho quente renovador.
Era de tardezinha e a passarada ainda fazia uma grande algazarra. Aquele som da briga por um espaço nos galhos era bálsamo para os meus ouvidos. Nas grandes cidades nem pardais existem mais.



Ainda deu tempo para tirar umas fotos e selfies antes do preparo do jantar. Estava com fome, pois só comera bobeiras até aquele momento.




O cair da tarde no Cuscuzeiro é encantador.








Bom, como já estava escurecendo e eu estava com fome, era hora de preparar o jantar. Acendi o fogareiro e tratei de por uma água para ferver. A receita seria macarrão espaguete integral ao alho e óleo.
Noutra panela descasquei uma cebola e piquei um pouco de mortadela. Logo o espaguete cozinhou. Fritei a cebola, acrescentei alho que eu trouxera já frito e juntei ao espaguete já escorrido. Finalmente acrescentei uma lata de atum ralado e a mortadela picada. Misturei tudo, sal a gosto, e mandei ver duas belas pratadas, hehehe! Ficou uma delícia!






Olhem só a dupla inseparável, Nanika e a Falcon 2.




E vai chegando a noite devagarinho, devagarinho.




E o Antigão foi dormir. Estava cansado e logo peguei no sono profundo.

Acordei muito bem e disposto na manhã seguinte. Preparei o café da manhã. Desta vez levei leite em pó e café solúvel. Um copão de café com leite e um pão com mortadela me deram o potencial necessário para o pedal de volta para Charqueada.

Ajeitei as tralhas, joguei tudo na magrelinha e saí para o pedal de retorno. Na saída ainda tirei algumas fotos.



Adeus Cuscuzeiro, até a próxima!






Vamos pegar o areião de volta? Desta vez será descida e vou fazer outro caminho. Serão só 3 Km de "terra". Subi na bike e... que zica! Nem na descida dá para pedalar na areia?! Lá vou eu de novo, subo na bike, tento pedalar, derrapo na areia, quase caio e empurro. E foi assim até chegar ao asfalto 3 Km abaixo.







Morro do Camelo que fica ao lado do Cuscuzeiro.








Nem tem areia na estrada!



É com a proteção do Papai do Céu que me despeço de Analândia.





Obrigado!!!



E lá vou eu subindo pela estrada em direção á Rod. Washington Luiz. Parece mentira, mas poucos km pedalados e lá estavam eles novamente: Aviões da Esquadrilha da Fumaça esbanjando habilidades no céu azul!




Olha lá o Cuscuzeiro bem distante. Já estou com saudades... um dia eu volto, se Deus quiser!



Essas belas plantinhas vermelhas nos acompanharam por muitos quilômetros.



Quando eu era menino, uma penca dessas e um bom estilingue e a guerra estava feita.




A volta foi um sossego. Sei lá parece que eu estava inspirado e o pedal correu solto. Nunca pedalei tão bem e rápido. Ademais tudo que eu subi na vinda comecei a descer. Nas descidas das serras cheguei até a ultrapassar carretas pelo acostamento!




Descansando um pouco à sombra do viaduto na Washington Luiz.





  Lembram que eu subi esta com sede? Agora vou descer com muita água, ahahahah!










Ô plaquinha charmosa!




Para quem nunca viu um treminhão, este não coube na objetiva da máquina. 
Eles ultrapassam a gente aos montes nesta região canavieira.




Oba, estou chegando!!!







Cheguei!!!





E foi assim que terminou esta deliciosa cicloviagem de puco mais de 150 Km.




Agradeço a Deus por ter me permitido mais este passeio de bike. Agradeço também por poder observar as naravilhas da mãe natureza.
Agradeço a todos aqueles que, de alguma maneira contribuíram para o sucesso deste projeto.
Agradeço também aos meus amigos e amigas, leitores deste Blog, que nos prestigiam sempre com as suas presenças virtuais.

Nenhum problema com a bike. Apenas um caminhão de areia na relação, hehehe!

Referência: Pedra Viva - Cuscuzeiro - www.facebook.com/cuscuzeiro

Para acessar a primeira parte deste relato clique AQUI.



10 comentários:

Antônio Carlos Heil disse...

Belo relato com ótimas fotos e um local interessante para acampar. Uma observação: a árvore com bolinhas espinhentas é a momoneira (mamona), de onde se extrai o óleo de rícino. Óleo este que a minha me dava quando pequeno para fazer tratamento de vermes. Nós que somos das antigas, conhecemos estas coisas.Abc.Heil

Waldson Gutierres disse...

É isso aí Sr. Heil, muito conhecimento sobre a mamona. Tomei muito desse óleo na infância. Obrigado pelo seu comentário e volte sempre.
Grande abraço do Antigão!

Mais um... Cicloturista disse...

Beleza, Antigão.
um passeio cicloturistico como esse rejuvenesce, parabéns.
abraços,
Paulo.

Valter Meireles disse...

Parabéns por mais uma ciclo viagem!Sempre passo pra me deleitar com seus relatos amigo.Sempre nos incentivando com suas pedaladas e histórias interessantes. Gostaria se vc pudesse passar o endereço de seu amigo, onde conserta e dá assistência a sua bike.Estou próximo de vc,na Vila Formosa.Obrigado mais uma vez pelo carinho em compartilhar suas experiênciasAbraços

Waldson Gutierres disse...

Valeu Paulo! Realmente essas cicloviagens, embora curtas, mudam para melhor o espírito da gente. Parece que somem todos os problemas, cansaço, etc.

Grande abraço!

Waldson Gutierres disse...

Olá Valter Meireles, muito obrigado pelas suas elogiosas palavras!

Já tinha respondido a sua pergunta sobre o meu mecânico, mas vai lá de novo:

É o Paulo e a oficina fica na Av. dos Nacionalistas, 780, quase em frente a minha casa. Em frente da Pizzaria Passione.
Ele abre por volta das 10:30 até ás 18:30 horas. Aos sábados até as 16:00 horas.
Não é uma bikeshop. É uma oficina mesmo. Pode confiar nos serviços do Paulo que é um excelente profissional e cobra barato.

Grande cicloabraço!

Valter Meireles disse...

Obrigado Wadson!Sua resposta anterior não veio...desculpe por perguntar novamente, OK?Vou consultá- lo,estou precisando de um bom mecânico... Quero fazer algumas adaptações pra começar a viajar de bike, inspirado nas suas ricas experiências.Obrigado amigo...Deus ilumine seu caminho sempre

Unknown disse...

Olá Waldson.

tentei mandar um email pra ti referente a algumas dúvidas para adaptações da minha bike para cicloturismo. Mas infelizmente não foi. =/

Waldson Gutierres disse...

Ola, Unknown (Desconhecido), tente antigao.cicloturista@gmail.com

Grande abraço!

Gilmar Doistempos disse...

Parabens Waldson, tenacidade e' o que vi
neste relato.

Lutou com as finanças e com o areiao. Saiu
do combate ileso.

Lindas fotos.

- Aquele coqueiro ao lado da estrada era
quase centenario.

- O cantinho onde voce armou a barraca
sob o teto do camping, deve ser o caminho
predileto da rota das lacraias e escorpioes ;)

[]s