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domingo, 20 de novembro de 2011

Atração fatal!


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Se você pensou tratar-se do filme “Atração Fatal”, lançado em 1987 com Michael Douglas, Glenn Close, dentre outros, enganou-se.

Eu explico:
Ontem, 19/11,  por volta das 15 horas eu seguia vagarosamente, ajudado por minha fiel bengala, em direção a um caixa eletrônico que fica há uns 300 m de minha casa. Para cortar caminho e sair da avenida, cujas calçadas não ajudam aqueles que têm dificuldade para se locomover, segui por uma rua paralela de pouquíssimo movimento.
De repente, não mais do que de repente, olho para a direita e o que vejo: Uma Caloi Aspen Extra, bem acabada, pneus murchos, aros enferrujados, encostada a um muro de uma casa.

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Fui até a bike e notei que o quadro estava muito bom. Havia até o selo de garantia do quadro para até 2010.

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Notei que por baixo de toda aquela sujeira estava um quadro bem aproveitável, até para uma boa bike estradeira se fosse o caso.

Olhei para os lados e vi alguns jovens jogando bola na rua e mais adiante um senhor que fazia reparos na carroçaria de um caminhão. Perguntei se ele era o dono da bike e a resposta foi não. Um dos rapazes que jogava bola se aproximou e disse que a bike era dele. Encostara no muro para ver se alguém quisesse levá-la, haja vista que estava ocupando lugar. Imediatamente, antes mesmo que eu me refizesse da surpresa, ele perguntou se eu estava interessado em levá-la. Respondi que sim e ele me agradeceu, chegando até a se oferecer para levá-la até minha casa, uma vez que eu caminhava com dificuldade.
Agradeci e fui empurrando a bike que, ainda bem, rodava perfeitamente.

Retornei para casa ainda a tempo de dar uma boa lavada na bike para examinar com mais cuidado o quadro que me interessava. O Paulo mecânico que me viu chegando com a bike veio ajudar-me no exame e já foi logo dizendo que esse era o quadro que eu tanto queria. Lembrei que tempos atrás eu dissera a ele que gostaria de comprar um quadro de Aspen usado, pois o mesmo tem exatamente a mesma geometria que o meu Rally de alumínio. Como eu tenho 90% das peças para montar uma bike, queria investir numa bike de aço carbono ou cromolly.

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Aros enferrujados e câmbios emperrados que irão para o lixo, mas banco, guidão, trocadores, catraca e cubos bons farão a alegria da garotada! Sempre faço doação das peças que estão boas para os meninos pobres da redondeza.

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Central justinha, pedivela e jogo de coroas boas também farão a alegria da garotada.

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Enchi os pneus e para minha surpresa não apresentaram nenhum furo. Os pneus estão muito bons e, pelo que percebi, vieram com a bike, denotando que a bike foi pouco rodada, embora tenha ficado jogada ao sabor das intempéries.
Passei uma esponja e olha o brilho do cubo!

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Depois de lavada e enxuta a Aspen até mudou de cara!


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Hoje pela manhã, peguei um banquinho, sentei e fui desmontando a bike, depenando o quadro. Não tirei os pedivelas, pois estou sem a chave certa.
Peguei as rodas 700c que tirei da Mentika (bike estradeira) e instalei neste quadro para demonstrar que é possível montar uma híbrida a partir de um quadro e garfo de Caloi Aspen Extra.

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Há um bom espaço no quadro e garfo, permitindo até a instalação de para-lamas.

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Não pretendo instalar rodas 700c neste quadro. Desta vez vou mesmo de aros 26, com freios a disco.
Freios a disco???!!! Como???!!!, alguém deve ter perguntado a si mesmo, já que o quadro e o garfo não têm suporte. Acontece que eu tenho guardado os adaptadores. Eles serão soldados ao quadro e ao garfo antes de pintura. Smiley de boca aberta
Talvez eu até use uma suspensão simples no lugar do garfo rígido, mas mesmo assim vou deixá-lo preparado para o plano B. Smiley piscando
Olha aí os furos para para-lamas e bagageiro.

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Bom, isso vai ficar para um próximo capítulo. Amanhã irei ao Hospital Abreu Sodré e se as suspeitas do médico se confirmarem faremos uma reintervenção cirúrgica.

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Confio no Deus todo poderoso e estou pronto para o que der e vier. Quero apenas ficar bom para voltar aos pedais. Acredito que este episódio, aqui narrado como “Atração Fatal” foi uma mensagem de Deus, sinalizando que ainda farei muitas ciclo viagens por este Brasil afora!


(Talvez você queira saber o que já fiz com um quadro desses no ano de 2009. Clique aqui.)

Fiquem com Deus! Polegar para cima
Ele é fiel!

Abraços do…

Antigão

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O batismo e as modificações de minha bike estradeira.


Olás,


Neste ano de 2011 aprouve a Deus permitir-me o exercício da paciência e da fé. Dizem que a esperança é a última que morre. Eu diria que é a penúltima, pois uma vez morta a esperança, despenca e morre o ser humano que sobre ela se debruçava.

Mãos postas

Assim, fundamentado na fé que tenho no Criador, que tudo ouve, que tudo vê, que tudo sabe, mesmo atravessando esse momento de recuperação pós cirúrgico, vou mexendo com minha bike estradeira, preparando-a para as próximas ciclo-viagens. A Bíblia diz “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” Salmos 30:5.

Desde que montei a minha bike estradeira, em junho de 2010 (Veja aqui), embora tenha pensado bastante no assunto, não encontrei um nome apropriado pelo qual eu poderia chama-la. Há mais ou menos um mês atrás encontrei o nome apropriado: Mentika. Mas, porque Mentika?

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Embora de pele clara, sou afro-descendente. Minha avó materna era negra e se chamava Clementina Camargo. Eu a chamava carinhosamente de vó Mentika. A vó Mentika foi a melhor avó que uma pessoa possa ter. Mesmo tendo falecido quando eu tinha apenas 10 anos, aprendi com ela muita coisa sobre a Natureza e sua relação com os seres humanos. Minha avó Mentika amava a Natureza! Vivia livre como um pássaro no sítio de sua propriedade, de onde tirava o sustento para a sua casa. No sítio, além de aves, animais e pomares, tinha um pequeno apiário, com aproximadamente 10 colmeias. Minha avó entrava lá sem nenhuma proteção, conversando com as abelhas. Nunca soube que ela fora picada por alguma delas.
Assim, resolvi homenageá-la dando o nome de Mentika a essa bike que sempre me trás grande prazer no contato com a Natureza.

Bom, a estradeira, digo Mentika, sofreu algumas mudanças nesses últimos meses.

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Retirei as as rodas 700c e instalei rodas da Rígida, com pneus CST Copperhead 26 X 2.0 visando absorver melhor os impactos provocados á minha coluna lombar e cervical. Seguindo este mesmo princípio, adicionei também uma suspensão RST Gila 100 mm, com trava e ajuste de pré-carga, coisa que a minha Manitou não tinha. A suspensão de 100 mm, substituindo o garfo rígido, trouxe algum peso a mais, contudo tornou a bike bem mais macia e levantou ainda mais o guidão, oferecendo muito mais conforto nas ciclo-viagens.

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Enrolei o guidão com fita de guidão, substituindo a espuma que já estava toda suja e rachada.

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Creio que muitos podem se perguntar porque a suspensão branca. A ideia era trocar também o quadro, para um Rally branco perolizado, mas por ora, devido aos altos gastos que estou tendo com remédios e outras coisitas mais, vou deixar mais para o futuro essa aquisição. Esse quadro já está comigo há mais de três anos, e não apresenta qualquer trinca ou outro problema que me force a trocá-lo imediatamente.
Fiz uma adaptação para prender o bagageiro dianteiro junto com a furação do para-lama.

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As abraçadeiras borracha mais uma vez foram utilíssimas para fixar os para-lamas na suspensão, haja vista que não há suporte próprio para para-lamas nesse tipo de suspensão. Agradeço ao amigo biker Luciano Ramos que as descobriu e indicou há muito tempo atrás!

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Como eu já tinha instalado o bagageiro traseiro “home made” (Veja aqui), cuidei da iluminação ativa traseira, fixando um suporte que fiz com chapa de aço,  para duas lanternas Vista Light Cateye LD 170.

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Com a lanterna Cateye do capacete, a iluminação traseira ativa fica assim:

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Normalmente, em viagens, uso essas lanternas no modo piscante.
Na frente ainda vou instalar o ciclo computador e o meu farol Q-Lite de 8 Leds que, por ora, está atendendo ás minhas necessidades de iluminação dianteira.

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Todas essas modificações, exceto a fita de guidão, nada me custaram pois eu já tinha todas as peças em casa. A suspensão comprei com o dinheiro que peguei na minha Manitou, portanto o investimento foi quase nulo. As peças que retirei por ocasião dessa mudança ficam á minha disposição para quando eu quiser voltar a usar as rodas 700c.

Bom, bike pronta, agora é só aguardar a vontade do Pai. Acredito que no início de 2012 Ele diga para o meu médico: “Pode liberar o Antigão!”
Aí será só treinar novamente para pegar a estrada e dividir com vocês as novas aventuras.

Veja também "A nova Mentika" minha atual configuração de bike estradeira:

Cliquei AQUI.

Deus é fiel!

Grande abraço do…

Antigão

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Piracicaba a Analândia-SP - Dezembro 2009

Olás,

Em dezembro de 2009 publiquei o ciclopasseio abaixo no Fórum Pedal, do qual participo desde 2008.
Hoje, ao relê-lo observo como as verdades seculares são relativas a ponto de mudar totalmente os nossos pontos de vista. 
Eu explico:
Naquela época eu já sofria de dores lombares e cervicais e lembro-me perfeitamente que, ao ser atendido num Pronto Socorro, numa de minhas constantes crises, a Doutora ao observar os raios x disse que o meu problema era Artrose na coluna. Mandou que aplicassem uma injeção para a dor e me deu alta. Daquela data em diante sempre que eu sentia dores lombares ou cervicais eu as atribuía a Dna Artrose.
Neste ano de 2011, quando sofri uma "travada" feia e fui parar novamente no Pronto Socorro, a médica que me atendeu orientou-me a procurar um especialista em coluna. Atendendo a essa solicitação, procurei o especialista e foi então que o mesmo, após exames de Raios X e Ressonância Magnética, diagnosticou hérnias de disco lombares e cervicais.

Agora ao reler a publicação abaixo posso ver que eu estava enganado em relação ao guidão Drop e minha "artrose". Na realidade naquele ciclo passeio eu estava em crise de hérnias discais, por isso a grande dificuldade relatada para manter-me curvado sobre a bike equipada com aquele tipo de guidão! Foi um passeio difícil diante dos problemas encontrados, mas que serviu como experiência em relação a bike que eu montara: uma híbrida muito bonita!

Abaixo publico o ciclotur na íntegra, como foi publicado em dezembro de 2009.

Boa leitura a todos!

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Olás, meus amigos e amigas pedaleiros(as).

Espero que tenham tido um ótimo Natal.

Nesta semana de Natal, como fiz o ano passado, resolvi dar uma pedalada mais longa, saindo de Piracicaba-SP com destino á cidade de Analândia-SP.
Analândia é conhecida por suas cachoeiras, pelo turismo, pois oferece cavalgadas, trilhas e escaladas aos Morros do Cuscuzeiro e Camelo. 
Soube dessa cidade o ano passado, quando fiz um ciclopasseio até Brotas e desde então alimentava o desejo de pedalar até lá, ficando próximo e tirando fotos dos Morros famosos.

Saí na manhã do dia 22 pretendendo retornar pelo mesmo caminho no dia 23. A estimativa dizia que eu pedalaria em torno de 90 Km ida e 90 Km volta. Como eu acabara de montar um bike híbrida o ciclopasseio também teria a finalidade de testar a bike, carregada com alforjes, barraca, saco de dormir e toda a tralha que os cicloturistas que acampam são obrigados a carregar.
Para acampar eu escolhera o Camping da Cachoeira do Escorrega, pois ficava bem próximo aos morros citados e tinha um quê de acampamento selvagem, dada a sua distãncia da cidade: 6 Km.
No meu projeto sairia de Piracicaba pela SP-127 (Rod. Cornélio Pires) até Rio Claro, pegaria a SP-310 (Rod. Washington Luiz) até o trevo da SP-225 (Rod. Deputado Rogê Ferreira), próximo a Itirapina, atingindo assim o meu objetivo: Analândia e seus gloriosos morros. Sabia por alto e por informações do pessoal do Pedal das dificuldades que encontraria nesta última rodovia sem acostamento. Mas... eu estava determinado a atingir o meu objetivo e nada tão simples com a falta de um "mero acostamento" me deteria!

Dia anterior ao passeio: Bike pronta para pegar a estrada...




O celular me despertou ás 5 horas de uma manhã agradabilíssima, fresca, convidativa ao pedal...



Lá fomos nós (Deus e eu). Rapidamente atravessei a cidade de Piracicaba e cheguei ao início da rodovia, SP-127.





Essa rodovia possui um ótimo acostamento, um verdadeiro tapete. Ótimo para quem mora na região e deseja pedalar, pois não possuí muitas saídas ou entradas rápidas, muito perigosas.





Logo após ter pedalado uns 15 Km a placa já me avisava da distância que me separava da Washington Luiz.





Primeira parada para ir ao banheiro. Escritório da Concessionária, um ótimo atendimento; banheiros limpos e arejados.



Aqui o dedão sinalizando negativo pois eu fizera uma triste constatação: Documentos e dinheiro foram esquecidos em casa. 





E agora? Abortar o passeio, deixar para outra ocasião? Olhei para o relógio: quase oito horas da manhã. Lembrei-me da "assistência ao ciclista esquecido e desamparado", afinal eu não esquecera o celular. Ninguém menos do que a digníssima Patrôa! Tirei-a da cama, coitada! Celular na mão, expliquei o que acontecera e dei as coordenadas para que ela chegasse ao local. Tive que voltar alguns poucos quilometros para que o carro pudesse retornar sem pagar o pedágio.

Resolvido o problema, meu companheiro de todas as viagens apareceu contente, pedalando ao meu lado: O Sombra!


O Posto se chama Pira-Rio. É bem precário, mas a lanchonete oferece algum suporte: cafezinho quente e garrafas de água gelada, por exemplo. 



Chegando ao trevo para Rod. Washington Luiz em Rio Claro...




Paisagens calmas á esquerda e á direita...

  



Parada para comer uma pera e tomar água fresquinha. O sol está rachando mamonas!






Aqui começa uma  longa serra e uma nova e triste descoberta: Dores nas mãos, nos braços e no pescoço. Não dava nem 70 Km pedalados mas eu já estava seguro que não fora feito para esse tipo de guidão. A partir desta subida, o passeio todo eu sonhei com a minha MTB de guidão flat com manoplas de gel, muito confortável. Sofro de artrose na coluna e por várias vezes nos últimos tempos tenho visitado os pronto-socorros para tomar injeção para a dor. Embora estivesse com receio de não aguentar a viagem, olhei para o ciclocomputador e pensei: Só faltam uns 20 Km, dá para aguentar. Tinha comigo comprimidos para a dor, pois carrego a minha mini-farmácia.  Continuei, apesar da dor...




Céu de brigadeiro e calor quase insuportável! Molhava o pano e fazia com ele uma espécie de proteção ao rosto, pescoço e cabeça.



Paisagens que amenizam a dor e trazem algum conforto ao passeio...



Parece que estou chegando... Observem o "acostamento" que irei pegar ao lado da placa...



Gente, nunca havia pedalado por uma estrada tão perigosa! Não tem acostamento e o tráfego intenso de caminhões e carretas impede qualquer tentativa de pedalar na rodovia. Pedalar na rodovia seria um verdadeiro suicídio! 
Há alguns trechos, vistos nas fotos seguintes, que até dá para pedalar no que se parece com um acostamento, mas na maioria da estrada, tanto mão quanto contra-mão é pedalar pelo meio do mato, capim, buracos, etc.



Paisagens...




Ôpa! Parece que cheguei!!! Graças a Deus! Dói tudo: pescoço, mãos, ombros. Fiquei revoltado, pois nunca imaginei que iria ter que empurrar uma bike não por cansaço, mas por dores provocadas por um guidão errado. Várias vezes tive que descer da bike e empurrar um pouco para passar um pouco as dores que sentia. 


Ah, não acredito!!! Bike errada na hora errada, no lugar errado!!! AREIÃO!!!! 6 kM DE PURO AREIÃO!!! 


Os pneus enterravam-se na areia como minhocas e se recusavam a sair. Até empurrar era muito difícil. A tarde já ia caindo... e assim fui empurrando a bike pesada, enfiada na areia 6 kms adiante.

Mas... de repente lá estavam eles! Eu estava cansado, com dores, mas alcançara o meu objetivo! Ali, diante de mim, imponentes, Morros do Cuscuzeiro e Camelo! 
Um ano de sonhos e apenas 102 Km pedalados e "empurrados"!
Ninguém descreve com precisão essa sensação de vitória e prazer. 



Corri montar a minha "casa de Nylon" debaixo do jirau de bambus e apreciar a vista maravilhosa!


A vista da minha casa...





O Camping realmente é bem rústico, embora possua dois espaços para banhos quentes até ás 22 horas, três banheiros, lavatórios, tudo muito limpo e arejado. O ideal para chegar até lá é com MTB, usando pneus largos, próprios para areia.
Eu estava com uma fome de leão! Após um banho frio e relaxante e após esperar o Seu Pedro chegar da cidade, comi um X-Salada do tamanho de um prato! Nunca tinha visto pão tão grande! O Seu Pedro é gente finíssima e ficamos batento papo até ás 22 horas, quando então fui dormir. A noite estava linda, com um céu limpo e estrelado.
Acertei o preço da estadia: R$ 20,00 com direito ao café da manhã, composto de uma xícara grande de café com leite e um paozinho francês com mussarela e apresuntado. Apenas o horário não era o melhor para mim: o café é servido das 9 ás 10 da manhã. 

O dia amanheceu lindo! Aproveitei a manhã para dar umas voltas e molhar os pés nas águas geladas. Uma bela manhã tendo como fundo o Cuscuzeiro envolto na neblina.






Seo Pedro, sabendo da minha dificuldade para chegar ao Camping na tarde/noite anterior, me ofereceu uma carona até perto da rodovia, para evitar os 6 Km de AREIÃO implacável. Lógico que eu aceitei. Jogamos a bike e biker em cima da Toyota e rumamos para a antiga estação. Dali eu pegaria uma estradinha que pedalados apenas 1 Km já me deixaria na rodovia. A Toyota. Seo Pedro não quis sair na foto.


A antiga estação de Annapolis, nome anterior á atual Analândia...






Bom, após tomar alguns comprimidos para dor, encarei de volta a arriscada pedalada pelo pseudo-acostamento, em direção á Itirapina, pois eu resolvera mudar o trajeto de volta. A bike estava com vários raios soltos, principalmente na roda traseira e dava alguns estalos medonhos. Infelizmente eu não levara uma chave de raios. Os raios soltos provocaram o empenamento das rodas - mais a traseira por causa do peso - então a bike jogava e pulava como um cavalo no trote.
Fui devagar, parando ou empurrando de vez em quando para aguentar as dores provocadas pelo guidão e não judiar muito da bike. Afinal, não se sabia quem estava pior, se a bike ou o biker, hehehe! 

Resolvi fazer o seguinte caminho: Seguir direto por Itirapina, entrar no Trevo Itaqueri/São Pedro e de lá ir direto para Charqueada, onde pousaria na casa de parentes. Pensei que fosse mais perto, mas depois percebi que a distância percorrida na volta fora quase a mesma da ida. 

Indo no sentido Itirapina...


Entrei em Itirapina apenas para comprar água. Fiquei com pena da cidade que tem como "portal" uma Penitenciária de segurança máxima. Não tirei fotos, lógico!!!


Sól quentíssimo, bike rebolando e estalando, entrei no trevo de Itaqueri, sentido São Pedro. Seriam 38 Km debaixo de um sól escaldante até São Pedro.

Na estradinha parecia só existir eu....


E as vacas, hehehe....




Em Itaqueri, um lugarejo pequenino, bati palmas em uma casa e pedi água, pois a minha acabara e não havia onde comprar. Um menino gorduchinho e sorridente, vestindo uma camisa do corinthians, veio me atender no portão. Pegou minhas duas caramanholas e gritou para a mamãe dele: "Põe água gelada, mãe!". Quando eu disse que estava seguindo em direção a São Pedro ele olhou para a bike, arregalou os olhos e disse "São Pedro!... É muito longe!" Agradeci sorrindo e ele me desejou uma boa viagem. Bom garoto!

Sítio com nome sugestivo para alguns...


Bom gente, parece que terei que parar e guardar a máquina fotográfica. Ainda falta muito chão até São Pedro e depois mais 18 Km até Charqueada, mas vem vindo uma tempestade grande atrás de mim. Vou guardar tudo e cobrir os alforjes.



Tempos depois, refrescado pela chuva que caía e com vento a favor, cheguei a uma lanchonete (venda) que eu já conhecia, há uns 15 Km de São Pedro para o "almoço". Parei por uns 40 minutos e segui adiante. Na serra de São Pedro outro infortúnio: Parece que entrou uma pedra entre a sapatilha do freio e o aro da frente e o barulho de algo esmerilando foi horrível. Cavacos de alumínio entraram na borracha da sapatilha e o pobre biker teve de descer um serrão daqueles empurrando.  Fiz o resto da viagem quase sem usar o freio dianteiro. No dia seguinte limpei as limalhas de alumínio que ainda permaneciam na sapatilha. Ficou um canal no aro, nem sei se irei perdê-lo. Depois irei avaliar o estrago.

Oito horas da noite, já de lanternas traseira e dianteira ligadas, deixei a rodovia dentro da cidade de Charqueada. 
Um bom banho, um farto prato de comida, uma bela cama me conduziram de boa ao final do passeio e ao dia seguinte. 

Foi um passeio gostoso, embora se eu fosse refazê-lo, não o faria exatamente com a mesma bike.
Vou mudar algumas coisas na Touring para que ela se adapte a mim e não eu a ela. Guidão Drop = Descartado definitivamente!
No mais a bike foi bem, precisando apenas de alguns ajustes.

Km pedalados: 1o dia 102,00 e 2o dia 94,80. Total: 196,80
Vel. Máxima: 59 Km/h
Vel. Média: 12,4 Km/h

Agradeço a Deus por me permitir mais esse passeio e poder compartilhá-lo com vocês.

Um Feliz 2010, repleto de realizações a todos!!!


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Assim foi feito aquele passeio com a bike que daria origem a Estradeira que usei até alguns dias atrás, antes dessa crise de hérnias que me colocaram fora de combate, por algum tempo.
Hoje vejo esse passeio como um desafio que foi vencido e, apesar dos inconvenientes, serviu de base para os passeios seguintes. Ninguém há que possa dizer que sabe de tudo! A vida é uma grande escola!
Tempos depois refiz esse passeio com a Estradeira, mudando o lugar do acampamento. Para ver esse passeio clique AQUI.


Apenas uma nota triste: O meu cunhado, que estava com a minha esposa e foi levar os documentos que eu esquecera, faleceu o ano passado.


Para ver a montagem dessa híbrida, clique AQUI.


Um abraço a todos!