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sábado, 19 de abril de 2014

Meu checklist para cicloviagens longas.

(Foto: Fábio Almeida preparando o nosso almoço, á beira da estrada, na Serra da Bocaina)

Olás,

Hoje vamos falar sobre o que levar nas cicloviagens.

Não existe uma regra fixa sobre o que levar na cicloviagem. Isso depende de cada cicloturista, de como fará suas pousadas e refeições, da distância e se os locais por onde irá pedalar oferece alguma infra-estrutura de apoio. Assim, tomarei por base a minha pessoa.
Como as minhas cicloviagens pretendem ser mais ou menos autônomas, levo comigo uma carga maior de tralhas na bike.
O ideal é que eu possa parar em qualquer lugar na estrada e preparar um almoço ou um café sem depender de nada ou de ninguém.
Assim, tenho uma relação grande do material que preciso levar.

Fiz um checklist que uso sempre que vou preparar um cicloviagem mais longa, de maneiras que posso ticar item por item e ter a certeza que nada foi esquecido.

Vou compartilhá-lo com vocês, não obstante cada um de  nós termos as nossas particularidades. Quem cicloviaja pernoitando em pousadas e fazendo suas refeições em bares e restaurantes pode diminuir consideravelmente os itens relacionados nessa lista.


Eu mesmo, dependendo da temperatura, do clima, da estação do ano, abro mão de alguma coisa ou modifico algum item.
Por exemplo: Tenho dois tipos de sacos de dormir. Um para Primavera/Verão e outro para Outono/Inverno. Se estamos no verão e vou pedalar em algum lugar do Brasil levo o saco de dormir para 5 a 8º C. Se estamos no inverno levo um para  0 a 5º.C e ainda umas roupas mais quentes para vestir na hora de dormir.
O planejamento da cicloviagem é muito importante, principalmente para quem faz cicloviagens autônomas. Não é como estar em um hotel onde se pode escolher a comida no cardápio ou a roupa de cama de acordo com a temperatura do dia ou da noite. Tudo tem que estar previamente planejado para não ser pego(a) de surpresa num local ermo, onde não há recursos disponíveis.

Mas, vamos aos itens do "checklist":

Alimentação e utensílios para cozinhar: 


  • Kit de panelas (duas marmitas redondas de tamanhos diferentes).
  • Prato plástico maleável.
  • Frigideira sem cabo.
  • Cabo universal p/panela e frigideira.
  • Cafeteira de aço inox.
  • Talheres – faca de mesa, garfo e colher.
  • Abridor de latas.
  • Faca de cozinha e um canivete bem amolado.
  • Espiriteira a álcool e/ou fogareiro á gás – Tekgas.
  • Cartucho de gás Tekgas (se levar fogareiro)
  • Álcool – Do tipo Etanol para espiriteira (se levar espiriteira).
  • Fósforos ou isqueiro (conservados sempre dentro de saquinhos estanque).
  • Copo plástico com tampa.
  • Guardanapos de papel.
  • Pano de prato.
  • Pedaço de sabão em pedra.
  • Esponja lava louça.
  • Macarrão in natura.
  • Alho frito.
  • Azeite.
  • Sal.
  • Adoçante.
  • Pó de café.
  • Leite em pó.
  • Coadorzinho plástico para leite.
  • Cebola.
  • Tomate.
  • Lata de sardinha.
  • Lata de atum ralado.
  • Miojo Lámen sabor galinha.
  • Pão sovado e/ou pão francês e torradas.
  • Chocolate em pó.
  • Manteiga.
  • Salame tipo italiano.
  • Arroz Parabolizado.
  • Ovos.
  • Frasco pequeno com azeitonas fatiadas.
  • Cheiro verde/Orégano desidratados.
  • Algum outro alimento liofilizado.
  • Sopão (se estiver no inverno).
  • Saquinhos plásticos 18 X 30 cm. 
  • Pastilhas SUUM - Eletrólitos e vitaminas solúveis em água potável. 

Acampamento:



  • Barraca Falcon 2 (duas pessoas).
  • Saco de dormir.
  • Isolante térmico EVA aluminizado.
  • Isolante inflável (tipo colchonete).
  • Mini travesseiro inflável.
  • Pedaço de plástico para varanda e proteção em dias de chuva. (Pode ser substituído por nylon siliconado, muito mais leve e fácil de transportar)
  • Extensão elétrica 5 mts.
  • Carregador de celulares.
  • Lanterna de cabeça.
  • Lanterna de mão (da própria bike que serve também como farol noturno).

Vestuário:


  • Camisetas regatas e normais (Dry-Fit ou algodão).
  • Bermudas de ciclismo e normais.
  • Capacete de ciclismo.
  • Luvas de ciclismo. (No auge do inverno um par de luvas de lã, touca e meias de lã).
  • Cuecas.
  • Meias soquete.
  • Uma ou duas camisetas em algodão com mangas longas.
  • Um agasalho – calça e blusa para o caso do frio.
  • Sandália do tipo havaiana.
  • Um par de papetes para pedalar em dias chuvosos ou muito calor.
  • Um par de tênis.
  • Boné impermeabilizado.
  • Duas toalhas de alta absorção.
  • Um pano para enxugar o suor.
  • Protetor solar.
  • Repelente gel.
  • Sabonete.
  • Jaqueta corta vento.
  • Jaqueta corta chuva.
  • Uma calça de tactel, com elástico nas canelas, bem fininha para pedalar nas manhãs mais frias.
  • Duas calças de Tactel, com bolsos, para passeio. 

Medicamentos, higiene e diversos: 


  • Relaxante muscular.
  • Remédio para controle de pressão arterial.
  • Neosaldina.
  • Álcool gel.
  • Curativos transparentes.
  • Algodão.
  • Desinfetante de água para consumo humano.
  • Esparadrapo.
  • Gaze.
  • Escova e creme dental.
  • Fio dental.
  • Sabonete.
  • Desodorante.
  • Escova para cabelo.
  • Agulha grande e linha de pesponto.
  • Trim para cortar as unhas e outras funções.
  • Papel higiênico. 
  • Sacolinhas para lixo.

Bike e transporte: 


  • Par de Alforges Alto Estilo 60 L c/capa de chuva.
  • Bolsa de guidão, térmica 3,5 L.
  • Bagageiro traseiro Wencun 25 Kg.
  • Bagageiro dianteiro Tranz-X CD 220.
  • Cordas elásticas de 1 m com ganchos de ferro nas pontas para prender barraca, colchonete, sacos de dormir, etc, nos bagageiros..
  • Tiras de câmaras de ar velha.
  • Duas ou três caramanholas de 750 ml para água potável.
  • Espelho retrovisor Zefal Spy.
  • GPS e/ou ciclocomputador.
  • Farol e lanternas.
  • Jogo de pilhas sobressalentes para farol e lanternas.

Ferramentas:



  • Power Link Sram para corrente HG 53.
  • Presilhas plásticas (Enforca gato).
  • Duas câmaras de ar reserva.
  • Kit para remendar câmara de ar.
  • Jogo de três espátulas de nylon.
  • Bomba para encher pneu, c/manômetro.
  • Alicate de bico pequeno.
  • Jogo de chaves Scott Allen/fenda/torque X.
  • Óleo para corrente.
  • Escova para limpeza de corrente.
  • Paninho para limpeza de corrente.
  • Algumas chaves fixas até 14 mm.
  • Fita isolante 3M.
  • Mini tesoura.
  • Estilete pequeno.
  • Alguns parafusos Allen de 4 mm (usados em bagageiro, suporte de caramanhola e para-lamas).





Todo esse material é escolhido e comprado de acordo com a qualidade e o menor peso possível.

O mini fogareiro cabe na palma da mão e pesa apenas 168g.
O saco de dormir é compacto - pequena dimensão - e pesa apenas 620g.

Meu atual isolante inflável pesa 1,200 Kg. Considerado pesado e volumoso. Estou comprando outro que pesa apenas 860g e fica mais compacto para o transporte na bike.

Os alimentos, roupas, etc., produtos que não podem pegar umidade, eu os transporto dentro de sacos estanques que, detalhe, eu mesmo confecciono.
Nas lojas de armarinhos encontramos plásticos (Vinil) vendidos por metro linear, normalmente com a largura de 1,40m. Esses plásticos podem ser colados com cola para PVC flexível Amazonas, facilmente encontrada até pela Internet. Sai muito mais barato do que comprar os sacos estanques de marcas famosas, cujo preço é o olho da cara.




Certa feita, estávamos acampados na Serra da Bocaina, o Fábio Almeida e eu. Fizemos nossa comida, almoço e jantar e no dia seguinte nos preparamos para retornar à Cidade de Bananal. Carregamos as bikes e as encostamos na sede do Camping Chez Bruna para acertarmos as contas. Uma senhora que nos observava se aproximou e nos perguntou como era possível que tudo aquilo que ela vira estava ali acondicionado em duas bicicletas. Brincou dizendo que estava de carro e que mesmo assim era difícil de por tudo no porta-malas.

É assim que nós cicloturistas vivemos e transportamos as nossas coisas: tudo bem arranjado e compactado de modo a economizar peso e espaço.

E podem estar certos(as) de uma coisa: Vale a pena investir no material para cicloviagens, pois o prazer de cicloviajar de maneira autônoma é incomparável.

Um grande cicloabraço do...



Se gostou deste artigo, tem alguma crítica ou pergunta a fazer, por favor, deixe o seu comentário. Teremos imenso prazer em ler e responder.

domingo, 15 de abril de 2012

Cicloturismo autônomo – Dicas

 

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Acredito que todos os cicloturistas são unânimes em afirmar que a cicloviagem começa bem antes de se colocar a bike na estrada.

As escolha do roteiro, o preparo da bike, todos os preparativos criam um clima de euforia e prazer poucas vezes sentido.

É bem diferente de quando nos propomos a viajar de carro, trem ou avião. Viajar de bike traz consigo um componente a mais que nos deixa num misto de euforia e apreensão, um duo de sensações de medo e coragem. Esse componente não é outro senão o espírito de aventura. Qual é o cicloturista que ainda não experimentou o famoso “frio na barriga” antes de uma cicloviagem? Mesmo os cicloturistas mais experientes, que acumulam milhares de Km rodados, relatam o “frio na barriga” quando estão se preparando para uma nova cicloviagem.

Confesso, sou apaixonado por essa sensação! Nada me faz tanto bem do que programar e fazer uma nova cicloviagem! Acho que sempre gostei de aventuras. Aliás, a minha vida já foi uma aventura, pois perdi meu pai aos 12 anos e vivi praticamente sozinho daí para frente. Mas isso é outro assunto.

Descansando e se reidratando – Serra do Mar - Bertioga – SP

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Gosto de fazer pedais autônomos. Embora eu faça algumas refeições em restaurantes, hotéis ou pousadas, na maioria das vezes preparo eu mesmo o meu café da manhã e o jantar. Gosto também de acampar, ao invés de ficar em hotéis ou pousadas. Essa prática além de me deixar mais próximo da natureza, também trás alguma economia em dinheiro. E, consequentemente, a economia em dinheiro permite que eu vá mais longe em minhas cicloviagens. Contudo, o pedal autônomo faz com que o biker transporte mais peso, pois barraca, colchonete, fogareiro, alimentos e itens de cozinha contribuem com bastante peso no total da bagagem.

Preparando o jantar em espiriteira a álcool – Camping Morada dos Colibris – Boiçucanga – São Sebastião-SP.

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Preparando o próprio alimento:

A questão do preparo do próprio alimento é bastante relativa, haja vista que cada um gosta e/ou pode comer determinado alimento. Neste caso, vou me basear no alimento que costumo preparar.

O primeiro passo é ter um fogareiro ou uma espiriteira. Eu possuo ambos, um fogareiro modelo Trail da Nautika e uma espiriteira a álcool que eu mesmo confeccionei.

O fogareiro Trail da Nautika usa cartuchos de gás de 190 gr. Cada cartucho dura em torno de 3 horas aceso ininterruptamente. Assim, dá para fazer várias refeições rápidas com um único cartucho de gás.

Fogareiro Trail da Nautika com cartucho de gás.

Fogareiro Trail

Cartucho de gás butano para fogareiro Trail.

cartucho de gás

A espiriteira usa o álcool como combustível. O álcool pode ser o comum vendido em supermercados de um modo geral ou o etanol, vendido em postos combustíveis ao longo das estradas e rodovias.

Espiriteira a álcool.

Em close

(Clique p/ ver  Confeccionando uma prática espiriteira)

Vantagens e desvantagens:

O gás butano é mais seguro para ser usado e transportado e não preteja os utensílios de alumínio. Porém é mais difícil de ser encontrado. Somente em grandes lojas de caça , pesca e camping podem ser encontrados. Depende da distância e locais a serem percorridos na cicloviagem é interessante levar mais de um cartucho. No caso de usar o fogareiro Trail, convenhamos que este ocupa mais espaço nos alforjes do que a espiriteira a álcool.

O álcool é mais perigoso de ser transportado, pois pode facilmente vazar e provocar incêndios, mas pode ser encontrado em praticamente qualquer posto de combustível, vendas ou bazares. O grande inconveniente é que esse combustível preteja os utensílios de alumínio mais que o gás.

Uma vez definido o tipo de fonte de calor a ser usado, vem então a questão dos alimentos.

Eu uso bastante o macarrão instantâneo, porém sempre faço algum complemento, tais como linguiça defumada, sardinha em lata ou atum.  Existe no mercado arroz em pacotes de 1 Kg que não precisa ser escolhido ou lavado, bastando apenas acrescentar-lhe água, sal e tempero para ficar pronto. Atualmente nos supermercados podemos encontrar vários alimentos em embalagem Tetra pak, como feijão e vários tipos de legumes. Esses alimentos só precisam ser aquecidos para serem consumidos. Até feijoada e alho frito podem ser encontrados nos mercados de um modo geral.

Há também as sopas em pacotes ou copos que bastam ser aquecidas para serem consumidas.  Assim, basta um pouco de conhecimento para preparar a sua própria refeição em poucos minutos.

Potes contendo leite em pó, café solúvel e achocolatado.

Café da manhã em Ilhabela – Camping Palmar

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Normalmente fervo um pouco de água e preparo meu próprio café da manhã. Costumo usar café solúvel, leite em pó instantâneo, achocolatado e adoçante.  Acompanho com  torradas, bisnagas e alguma fruta.

Atualmente o cicloturista ainda dispõe de muitos alimentos liofilizados (O que é?). Não posso opinar sobre eles, pois, exceto café solúvel, nunca os usei, primeiro porque são mais difíceis de serem encontrados e também pelos seus altos preços.

O próximo item da autonomia é a acomodação.

Existem inúmeros modelos e tamanhos de barracas no mercado. A escolha é sempre difícil. Acredito que a escolha, além do espaço a ser ocupado, deve ficar a critério da região onde a barraca será usada. O Brasil tem dimensões continentais, assim uma barraca que é ótima para o Sul pode não ser ideal para o Nordeste. Há regiões mais ou menos quentes, mais ou menos chuvosas, enfim deve se levar em conta a região onde iremos usar a barraca.

Moro no Sudeste, considerada uma região de clima moderado. Uso atualmente uma barraca Falcon 2 da Nautika. Quando saí para compra-lá além da região onde ela seria usada, considerei ainda os fatores, peso, espaço e custo. O ideal é sempre uma barraca para duas pessoas, muito embora no meu caso o pedal seja solo. Numa barraca para duas pessoas posso colocar meu colchão inflável para dormir confortavelmente e ainda sobra espaço para os alforjes. Para mim o peso e custo estavam dentro do que eu havia projetado para me atender.

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Colchão inflável ou colchonete. Já usei os dois e acabei optando pelo colchão inflável com fole embutido. Embora seja  bem mais pesado que o colchonete, o colchão inflável é muito mais confortável e permite uma boa noite de sono, algo do qual o cicloturista não pode prescindir, depois de um dia inteiro de pedal.  O fato de ter fole embutido favorece o acampamento em locais onde não há energia elétrica, ou o transporte de uma bomba manual, a qual ocupa muito espaço. Carrego comigo um lençol de solteiro com elástico, pois o veludo do colchão “agarra” no corpo ou na roupa, incomodando um pouco, atrapalhando a boa noite de sono. Pode-se acrescentar um travesseiro inflável á bagagem se houver necessidade.

Normalmente uso um isolante térmico em EVA aluminizado sob o colchão, a fim de me proteger da umidade e friagem que possa vir do solo.

Saco de dormir. Eis aqui outro item que traz muitas dúvidas no momento de adquirir, pois existem um cem números de exemplares e modelos no mercado. Aqui também acredito que deva ser levado em conta a região e quando (Estação)  o mesmo será usado. Em regiões de clima ameno opta-se por modelos mais leves em regiões mais frias por modelos que suportem mais o frio e assim por diante. Eu uso um modelo Viper da Nautika. Já o usei numa noite de 0º Grau Centígrado, porém vestindo um agasalho de inverno, luvas, gorro e meias de lã.

Acredito que a gente deva ter dois modelos: Um para primavera/verão e outro para outono/inverno.

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Saco de dormir

Finalmente as tralhas de cozinha. Eu não comprei as minhas tralhas desses jogos que são vendidos em lojas de Camping e aventuras. Eu mesmo montei as minhas tralhas. Comprei duas marmitas redondas de diâmetros diferentes, de maneira que eu as carrego encaixadas uma dentro da outra. Na mais interior eu ainda coloco meia pedra de sabão em barra e uma esponja de cozinha. Tenho ainda um cabo universal para panelas, pois as marmitas redondas não têm cabo. Isso faz com que ocupem  menos espaço nos alforjes.

Cabo para panelas.

.Cabo para panelas

Um copo e um prato plástico, bem como um jogo de talheres completam o “serviço” de café, almoço ou jantar. Sal, café solúvel, achocolatado, leite em pó, azeite, etc. são acondicionados em frascos ou potes plásticos hermeticamente fechados. São leves e práticos. Não deixo de levar um canivete sempre bem afiado que acaba virando um “faz tudo” durante a viagem. O canivete deve ser de tamanho pequeno, para não se constituir em arma branca e ser barrado pela polícia.

Com essas dicas e um pouco de prática em cozer os próprios alimentos qualquer cicloturista pode fazer um passeio autônomo, sem depender de praças de alimentação, hotéis, restaurantes, pousadas, etc.

Sugiro que os Campings a serem usados durante o trajeto sejam pesquisados e contatados antes, na fase de preparativos. Isso evita surpresas desagradáveis, tais como estruturas totalmente desfavoráveis, campings sem segurança ou mesmo campings que só abrem em épocas de temporadas.

Quando necessário acampar fora das estruturas de um Camping o item segurança deve ser considerado ao máximo, dando preferência a locais próximos ou mesmo dentro de Postos policiais, Corpo de  bombeiros, quintais ou garagens de pessoas de inteira confiança.

No mais, seja prudente mas nunca cultive o medo. Esse sentimento  é totalmente contrário ao prazer que a prática do cicloturismo pode trazer ao ser humano. Se você é Cristão como eu, lembre-se sempre o que diz o Salmo  34:7 :

“O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que os temem, e os livra”.

Assim, pedale tranquilo, deixe o vento acariciar o seu rosto, sinta o prazer do contato com a Natureza que o Papai do Céu criou especialmente para você e…

Boa Viagem!

Antigão

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pedalando de São Paulo-SP a Paraty-RJ - Abril 2009


Após fazer vários passeios que iam de 70 a 150 Km, já com preparo físico e psicológico melhor e com algum conhecimento técnico, comecei a sonhar com um passeio mais longo. Foram muitos meses planejando o passeio, centenas de visitas á páginas na Internet para ler os relatos de passeios efetuados por cicloturistas mais experientes. Dezenas de visitas ao Google Maps - Ah, Santo Google! - para definir roteiros, quilometragem, etc. Fora os diversos e-mails trocados com pessoal de Campings e Pousadas, esperando definir os locais de pernoite. Assim nasceu o projeto de ir de da Zona Leste de São Paulo a bela cidade de Paraty no Rio de Janeiro. Após vários dias e noites definindo o projeto, agora era só aguardar o dia da viagem.
Eu havia programado chegar ao meu destino pela Rodovia Rio Santos. Depois do passeio eu descobri que não poderia ter escolhido caminho melhor.


Ah, os dias passavam lentamente, parece até que se arrastavam como uma grande lesma. Eu não via a hora de poder pegar a bike, prender o alforje no bagageiro, jogar colchonete, barraca, saco de dormir e tudo o mais que eu tinha direito sobre tudo isso e sair pedalando em direção àquele momento de felicidade.


Meu objetivo seria sair pela Rodovia Airton Senna, Mogi Dutra, Mogi Bertioga, acessando assim a Rio Santos com destino ao Rio.


Enfim, chegou o grande dia! Meu coração batia descompassado, minha boca estava seca, uma sensação estranha percorria a minha espinha terminando num frio na barriga. Sinceramente eu nem dormira bem aquela noite. Mas...


Madrugada do dia 22/04/2009. O relógio me despertou ás 4:30 horas, pois pretendia sair cedo, antes que o trânsito caótico de São Paulo me incomodasse. Já deixara parte dos alforjes preparados, bastando apenas os preparativos finais. Eram 5 horas e 57 minutos e ainda estava escuro quando tranquei o portão da garagem pelo lado de fora. Uma garoa fina prenunciava chuva no início do trajeto, já que a previsão do tempo apontava chuva só para o período da tarde daquele dia.
Logo que comecei a descer a Av. Inconfidência Mineira, percebi que os raios da roda dianteira da bike estavam um pouco frouxos, pois emitiam um ruído de cordas de violão quando tocadas aleatoriamente. Não haveria problema, pensei, pois eu poderia fazer uma pequena parada em Mogi das Cruzes para um reaperto dos raios. Mas... quando atingi a Av. Rio das Pedras, apenas 3,5 Km pedalados notei que algo estranho ocorrera: o alforje caira em cima do câmbio traseiro! Azar!!! O zíper de sustentação quebrara com apenas 4,5 Kg de peso de cada lado! Que Eu não podia e nem queria acreditar! Não, isso não podia estar acontecendo! Eu havia esperado meses a fio por esse momento... e agora... não tinha outro jeito!
Após análise cuidadosa dos fatos, com o coração apertado, resolvi abortar a viagem naquele dia. Com certeza, sem um reforço, os alforjes não resistiriam á viagem. Eu só iria arrumar dores de cabeça. Amarrei o alforje direito com uma cordinha e voltei pedalando devagar, cabisbaixo e aborrecido talvez, mas cheio de novas esperanças. O dia ia amanhecendo lentamente enquanto eu fazia o caminho de volta.


Já em casa, fui para a cama terminar a minha noite de sono interrompida. Comecei a pensar no que me acontecera e dormi. Foi bom, acordei por volta das 10 horas da manhã e comecei a bolar uma maneira de reforçar os alforjes. Pensa daqui, pensa dali... eureka! Achei. Fui para a Serralheria de um amigo de infância e apresentei-lhe minha idéia. Ele concordou e saímos a preparar oito tiras de chapa grossa, com as quais, já em casa, fiz os reforços. Coloquei tiras de chapa por dentro e por fora, prendendo-as com rebites POP. Ficou uma beleza!
Uma vez preparados os alforjes, levei a bike à bicicletaria para o reaperto dos raios da roda dianteira. Em seguida, montei tudo na bike e saí para uma pedalada de teste. Perfeito! Agora era só esperar o dia seguinte. Ah, como foi difícil passar esse dia...


No dia seguinte, 23/04, acordei muito bem disposto. A manhã estava ótima, sem prenúncio de chuva e com uma temperatura agradabilíssima! Nesse dia nem fiz um café da manhã tão reforçado como o fizera no dia anterior. Tudo pronto, saí ás 5:07 horas para a grande jornada. Av. Inconfidência Mineira, Av. Rio das Pedras, Av. Conselheiro Carrão e lá seguia eu assobiando feliz, sendo observado curiosamente pelas pessoas que aquela hora da manhã já lotavam os pontos de ônibus, esperando chegar ao trabalho.


O dia nasce na Rodovia...



Estava meio frio e eu estava
bem agasalhado e "sinalizado", hehehe.


Logo cheguei ao Km 30 da Rod. Airton Senna, onde eu faria a primeira parada para o tradicional Nescau e pãezinhos de mel, ehehe!


No posto do Km 30 da Rodovia Airton Senna da Silva.
(A Ana bateu esta foto.)


Na saída, quando me preparava para a auto fotografia conheci a Ana, jovem simpática que se prontificou a bater as “chapas”. Bati um papo com a Ana e descobri que tínhamos em comum o gosto pela bicicleta, pois a Ana pedala com o pessoal do Sampa bikers. Despedimo-nos e segui viagem pela Airton Senna procurando conter as minhas pernas que, forçadas pela emoção, insistiam em forçar a pedalada, atingindo uma média maior do que o planejado. Mantive-me em 20 / 22 Km/h, pois estava ciente que teria 120 Km pela frente. As 8:27 entrei na Pedro Eroles (Mogi Dutra) e as 9:40 cheguei em Mogi das Cruzes, onde parei para o reabastecimento de água e um isotônico.



O Borba Gato gigante em Mogi das Cruzes, SP...
Acho que o Prefeito quiz fazer um "gatão".


Em pouco tempo alcancei a Rodovia Mogi Bertioga e tome pedal. Observei com felicidade que não há mais trechos sem acostamento, salvo na descida da serra, onde se atinge uma boa velocidade, de maneira que a falta deste não traz grandes conseqüências.


Parque Estadual da Serra do Mar.


Belas paisagens surgem pelo caminho... A cachoeira que rasga o verde em direção ao vale e segue em direção ao mar.



Descida da serra...


Cheguei ao trevo com a Rio Santos sem imprevistos.





Quando cheguei ao posto da Polícia Rodoviária percebi que o tempo estava fechando em Bertioga. Nuvens espessas e escuras cobriam o céu da cidade.





Tratei então de cobrir os alforjes com um plástico que eu preparara para isso. Mal recomecei a pedalar, o vento contra começou a uivar em meu capacete. Menos de 2 Km adiante eu já estava na coroinha dianteira e na mega-range traseira e quase não conseguia sair do lugar! Foi aí que desabou um imenso toró de granizo enorme! Misericórdia! O granizo explodia como bomba no meu capacete, batia e doía nas pernas, braços, peito, e pior, não havia onde me esconder! Eu estava usando uma capa do tipo “capucha” que não agüentava nem garoa quanto mais uma chuva daquela! Logo surgiu um depósito de material para construção e lá eu me escondi da tempestade. Aproveitei para comprar uma capa amarela (de pedreiro) para continuar a viagem. As Sras. Balconistas disseram que jamais viram em Bertioga uma chuva daquelas! A chuva de gelo me deixou com frio. Meus olhos ardiam invadidos pelo suor, misturado a água gelada. Acabei então por descobrir os primeiros erros de planejamento: Não levei uma boa capa de chuva e um tênis sobressalente! O meu estava encharcado e, com certeza, não secaria até o dia seguinte.


Nessa noite fiquei numa cabana, no Camping em Bertioga, que eu já havia contatado. Cheguei ás 14:30, peguei um marmitex (PF) no restaurante do Camping, tomei um banho quente, dei uma olhada no mar revolto e fui descansar. Foram 127 Km pedalados.




Consegui por a bike no interior da cabana...






Pronto para partir, na manhã seguinte...


Na manhã seguinte, 24/04, acordei ás 6 horas. Bem disposto, preparei e tomei o meu café da manhã, composto por café solúvel, leite em pó, pão com presunto e queijo. O dia amanheceu ensolarado, mas em contrapartida o meu tênis continuava encharcado. Coloquei meias secas, enfiei os pés em sacolinhas plásticas e os enfiei nos tênis. Erro crasso eu deveria ter pedalado de Havaianas, seria bem mais “cheiroso” o pós pedal. Mas, imaginem um sujeito de camisa e bermuda de ciclismo calçando Havaianas... ia ficar estranho! Saí as 8:36 horas. A próxima parada seria Boiçucanga, já no município de São Sebastião.



As nuvens refletem na água como se fossem dois céus.


Crianças brincam na árvore, á espera do ônibus escolar.


Parece que a Natureza nos premia:
Quanto mais se pedala, mais tudo se torna belo.


Hora do almoço. Afinal, nem só de pedal vive o homem!





Parei ás 13:30 horas no restaurante do Posto Sahy para almoçar. Mandei ver um belo prato, pois só tomara o café da manhã e mais nada. Foi um pedal bem tranqüilo com poucas subidas e um acostamento lisinho, um tapete! Cheguei as 14:50 horas, no Camping Recanto dos Colibris, com apenas 65 Km pedalados.
Esse é um pedal muito fácil, pois é uma reta só. Na chegada abordei uma jovem ciclista, muito bonita, pois precisava chegar a Estrada do Cascalho e me surpreendi com a sua reação. Explicou com riqueza de detalhes como eu faria para chegar ao local indagado, mas ao perguntar de onde eu vinha e para onde eu ia, toda jovial e cheia de entusiamo exclamou: Incrível! Que legal! Foi realmente uma injeção de ânimo e simpatia. Ela se apresentou como a Márcia de Maresias. Desejou-me muito sucesso na viagem e nos despedimos.





Preparando o jantar...




Morada dos Colibris. Esse é o Camping que eu chamo de perfeito. Limpíssimo, ótimos chuveiros, grama bem aparada, atendimento nota 10! Aproveitei para estender o tênis, após uma boa lavada, num varal coberto, assim como a roupa lavada.


À noite, quando fui preparar o jantar, meu fogareiro apresentou problemas. Tive sair à caça de um improviso. Comprei um litro de álcool e parti para a espiriteira. Aliás, foi o que usei durante todo o resto da viagem, pois segundo me informaram eu não encontraria gás descartável em toda a zona litorânea, pois eles ainda não tinham autorização legal para comercializar esse tipo de produto. O problema da espiriteira á álcool é o fato de pretejar os utensílios, dando mais trabalho para lavar.
Esta noite tive um jantar á moda do ciclista: Macarrão com atum... uma delícia!


No dia seguinte, 25/04, acordei as 7 horas . Tinha chovido a noite toda. Uma chuva leve e intermitente, mas amanheceu ensolarado. Isso atrapalhou os meus planos de sair logo cedinho, pois a barraca estava toda molhada e eu preferi esperar que o sol me ajudasse a secá-la. Acabei saindo as 10:00 horas com o sol a pino. Ah, se eu soubesse o que me esperava teria saído bem cedinho, antes mesmo de o sol aparecer!!!
A Estrada do Cascalho fica ao lado da Serra de Maresias, portanto logo que saí, embora eu tenha dado umas pedaladas para o aquecimento, dei de cara com aquela imensa PAREDE de asfalto. Misericórdia, aquilo não era uma subida! Não, aquilo era o veredicto de morte para um velho ciclista aventureiro que pretendia chegar em Parati, no Rio de Janeiro! Foi difícil? Não, foi quase impossível! Devo ter parado uma centena de vezes para descansar; bebi duas caramanholas de água fresca. Foram 8 Km puxados, de fazer desistir o mais entusiasmado dos ciclistas. Muita gente que passava de carro ou de moto gritava na gozação: Ei, quer uma ajuda?
Mas... cheguei lá em cima. Que visão maravilhosa! Bem que o pessoal do Site do Pedal dissera, valia a pena! Agora o descidão. É tão íngreme que parece que vai quebrar o guidão da bike tal o apoio que a gente faz. Não quero nem pensar no que pode acontecer se quebrar o cabo de freio... Aviso aos companheiros que querem se aventurar por ali: coloquem freios novos para essa viagem!


Placa logo no início da Serra. O Centro refere-se a São Sebastião.


Subir pedalando? Nem morto!


A visão do alto da serra.


Não acredito?! Acho que vou beijar essa placa!


No meio da descida essa visão maravilhosa!
Vou passar na beira daquela praia.


Mas, o pior aconteceu: Um estalido medonho começou a ecoar da roda traseira da bike, principalmente quando eu acionava o freio traseiro!!! Dei uma olhada e nada notei de quebrado ou solto. E agora?! Descer montado ou não? Supliquei a Deus que me guardasse e desci montado mesmo com o barulhão , tac-tac. tac-tac, tac-tac.... Finalmente cheguei ao final da serra, mas outras serras vieram, muitas e muitas outras.... verdadeiras paredes!


A placa me " intimou" a parar para um merecido descanso.


A paisagem por aquelas bandas é fantástica!


Parei por volta das 14:33 horas em Baraqueçaba para tomar um lanche e descansar um pouco e continuei a pedalada em direção a Ilhabela, meu destino. Quando cheguei em São Sebastião estava pregado, muito cansado e lá fui eu em direção á balsa, tac-tac, tac-tac, tac-tac... o barulho não parava e chamava a atenção dos transeuntes locais.


Na balsa para Ilhabela.





Num é que a "danadinha" (Ilhabela) é bela mesmo!


Cheguei em Ilhabela ás 16:30 horas. Eu pedalara apenas 40 Km, mas foram os mais longos e cansativos que eu já vira. Parei no quiosque de informações turísticas para descolar um Camping mais perto, pois o que eu contatara ficava muito longe e eu, confesso, não tinha mais condições de pedalar seguer uns poucos km. Fui gentilmente informado por uma jovem que havia um Camping, ao Norte da Ilha, bem próximo.
Camping Palmar, inspecionei e gostei. Boas acomodações e uma ótima recepção fizeram o resto. Montei a barraca, parti para o banho quente e reconfortante. No Camping há uma Pizzaria e ao lado o Restaurante do Geninho que serve um jantar delicioso e barato. Arroz, feijão, salada e um enorme filé de pescada ao molho de camarão, R$ 12,50. Vale a pena!


Montei minha “casa azul”...
No dia seguinte, saí para conferir: Ilhabela é linda!




Café da manhã reforçado.


Como é bom pisar na areia da praia, né?!


5º. Dia – 26/04. Hoje, domingo, não pedalei na estrada. Tirei o dia para descansar e conhecer um pouco da Ilha. Não podia ir muito longe, pois a bike estava com o problema de estalo, que eu já descobrira: era o cubo traseiro. Para ver se conseguia pedalar um pouco sem prejudicar mais o problema, fiz uma limpeza geral com WD em toda a relação e limpei com um pano, visando remover a areia que se infiltrou no mecanismo. Melhorou bem, diminuindo o ruído, mesmo porque eu estava também sem o peso dos alforjes. Pedalei devagar pela Vila tirando umas fotos e curtindo um pouco da Ilha. Achei Ilhabela muito legal, conheci gente nova, bati muito papo, foi muito bom ter ficado no domingo para descansar. No Camping havia mais duas barracas. Uma família de Franco da Rocha, SP e um casal da Capital de S. Paulo que se foram no final da tarde. Fiquei sozinho no Camping a partir de então.


Ciclovia.


A vila...beleza que inspira.


Abaixo, obras de arte.



Tá reclamando do quê? Também somos obras da Arte Divina!


Crianças desafiadoras.

6º. Dia – 27/04. segunda-feira. Fui até a bicicletaria do Dida, a qual fica próxima á Balsa. Após desmontar o cubo pedi para ele trocar apenas os rolamentos, embora ele tenha insistido em trocar o cubo. Achei que uma troca de rolamentos apenas resolveria o problema. Ledo engano, como eu iria constatar depois!


Bicicletaria do Dida. Próxima á balsa.


Saindo de Ilhabela. Que lisonja!


O barulho sumiu então voltei para o Camping e desmontei tudo, carreguei a bike e saí para a Balsa, no sentido São Sebastião. O Relógio marcava 10:40 h. Quando cheguei em São Sebastião peguei a direção de Caraguatatuba, em direção ao meu próximo destino: Ubatuba. Ainda não tinha deixado a cidade quando... tac-tac, tac-tac, tac-tac, o barulhão voltou! Parei desolado e pedalei de volta em direção ao centro da cidade. Encontrei uma bicicletaria uns três Km adiante, onde o pessoal mui gentilmente, vendo o meu problema, se prontificou a trocar o cubo, passando-me na frente de outros clientes.
Cubo trocado, todos os presentes me incentivaram a continuar viagem naquele mesmo dia, afirmando que no mais tardar eu estaria em Ubatuba por volta das 17:00 horas. Sendo assim, lá vamos nós! Nesse trecho, o acostamento quando existe não é dos melhores. Não há serras propriamente ditas, mas há bons subidões, longos e intermináveis.


Com um céu desses qualquer um pedala, né?!



Logo que entrei em Caraguatatuba, 25 Km depois, parei num posto de combustível para reabastecer as caramanholas e fui informado que eu poderia seguir pela praia, ao invés de seguir pela rodovia. Assim eu ganharia uns bons Kms e usaria a ciclovia, muito mais segura. Concordei e assim o fiz. Logo adiante parei numa frutaria, comi quatro caquis e segui pedalando pela praia até a saída para Ubatuba. Vale a pena usar esse caminho. Ao chegar em Caraguatatuba, logo após passar a ponte de arco, pegar próxima rotatória á direita em direção á praia. Aí é só seguir pela ciclovia.


Ciclovia em Caraguá.




Depois de Caraguá, como chamamos, o trecho é também, como os demais, muito bonito, porém bem cansativo. Há muitas subidas e descidas longas. Faltavam uns 15 Km para chegar ao meu destino, a tarde já ia embora, comecei a descer um descidão cheio de curvas e aí desabou um temporal que eu não esperava. Acho que a nuvem estava daquela região para diante e eu acabei entrando no temporal, pois nem percebi. Quando vi já estava dentro do dilúvio! Ah, outra vez não!!! Tratei de vestir a capa amarela rapidamente, mas o tênis... de novo encharcado!
A chuva não parava. Eu subia, descia e a chuva continuava. A noite veio rapidamente e agora os faróis dos carros ofuscavam a minha visão. O suor se misturava à água da chuva fazendo arder os meus olhos. Nos próximos passeios não posso me esquecer de uma boa viseira, pois a testeira nesses casos não adianta nada! Meu farol, bem meia boca, só servia mesmo de alerta, pois pouco iluminava a pista a minha frente.
Após 78:41 Km pedalados, ás 18:15 horas, cheguei em Ubatuba e, pasmem, nem sinal de chuva, embora eu estivesse todo encharcado. Nessa altura do campeonato, não tinha como ir para o Camping, assim procurei uma pousada. Fiquei numa pousada, onde guardei a bike dentro do quarto. Um banho quente e reconfortante ajudou a esquecer as dificuldades do trajeto. No jantar, pedi e comi dez esfihas abertas! Estava faminto!
Na pousada conheci um casal de idosos, moradores da cidade de Campinas-SP, que passavam férias. Como quase todos que eu encontrei pelo caminho, eles se espantaram com a minha aventura. As pessoas não acreditam o que os cicloturistas são capazes de fazer! Talvez a minha idade chame mais a atenção. Enfim, me ajudaram um pouco comentando sobre as condições e altimetria da estrada até Paraty. Despedi-me daquele casal simpático, pois eu estava cansado e precisava dormir cedo.


Depois de vários dias dormindo em barraca,
até que não é má idéia uma caminha bem confortável.


7º. Dia - 28/04. terça-feira – Acordei refeito depois de dormir numa cama com colchão macio que a dias eu não via. Como eu contratara o serviço com café da manhã, não acordei muito cedo. O café seria servido a partir das 7:30 h. Graças a Deus meu tênis e as roupas secaram. Após o café caprichado, ás 8:50 h parti para o último trecho da jornada.



Parece até que a água vai saltar para fora a qualquer momento.
Ah, o fio?! Deixa ele aí, eu não sei usar o Photoshop.


De Ubatuba para frente existe acostamento, mas é impraticável. Serve apenas como zona de escape para fugir de ônibus e caminhões, quando avistados no espelho retrovisor. Esse é o trecho mais isolado do passeio. Não existem grandes serras, apenas subidões não muito escarpados. Nos subidões, vale lembrar que o pseudo acostamento se transforma em 3ª faixa, portanto há que se atravessar para a contra-mão e pedalar ou empurrar a bike no sentido oposto. A grande vantagem é que se fica mais seguro e há muita sombra desse lado. Há trechos que, com tanta água que desce das montanhas, fica um vapor fresco e agradável, ajudando muito a descansar e refrescar o corpo. Já próximo á divisa de São Paulo com Rio de Janeiro, há uma grande cachoeira, onde uma barraca grande oferece uma lingüiça calabresa, assada na chapa do fogão a lenha, simplesmente irresistível! Nesse momento até a velha coca-cola geladinha vai muitíssimo bem.

Bom, havia eu pedalado uns 10 Km e encontrava dificuldades para ajeitar (calçar) a máquina para uma auto-fotografia. O tripé insistia em cair, pedras para calçar não ajudavam e eu estava praguejando quando olhando para o início do subidão, de onde eu estava vi um biker da região pedalando lentamente em minha direção. A bike era vermelha, uma barra circular da Caloi, mono-marcha. Quando o rapaz se aproximou pedi ajuda para tirar a foto. Uma vez tirada a foto, iniciamos um bate papo e então eu soube que o Álvaro (é esse o seu nome) também estava se dirigindo para Parati. Assim, combinamos de pedalarmos juntos os + ou – 70 Km que faltavam.


O Álvaro e sua Barra Circular.


Conversa vai, conversa vem, descobri que ele fazia constantemente esse percurso, mas de moto, para levar artesanato do sítio onde mora á Parati. Estranhei a bike para um percurso tão longo, fiz algumas perguntas e fiquei ainda mais surpreso quando descobri que ele não tinha sequer uma bomba para encher o pneu. Câmara de ar sobressalente? Ora, nem pensar! Disse-me que estava fazendo a viagem de bike, pois sua moto estava com os documentos vencidos e, portanto, não poderia fazer a viagem com ela. Estava se dirigindo a Parati para cobrar uma dívida. Fiquei com pena daquele companheiro que se arriscava daquele jeito, numa região sem quase nenhum recurso. Foi assim que fizemos o trecho juntos, pois eu poderia ajudá-lo caso furasse um pneu, ou tivesse outro problema. Estava levando três câmaras sobressalentes além de várias ferramentas. Aproveitei para encher o pneu dianteiro da bike dele, pois estava baixo, “grudando” no asfalto quente. Ele contou-me que já tivera uma Caloi 10 e que com ela viajara para São Lourenço de Minas, em Minas Gerais. Passou por Itatiaia, Itamonte, portanto já sabia como era pedalar longas distãncias. Pedalamos juntos até a Av. principal de Parati, onde nos despedimos.



Acabou a água? Tem problema não,
tem muitas bicas de água geladinha nesse trecho.




Essa pedra parece conter o perfil dorsal
de uma mulher em alto relevo.



Subidão interminável...


Ah, Graças a Deus! Só dois Km para a divisa dos Estados!!!


Abaixo: Cachoeira da Escada e o delicioso
sanduba de Calabreza na chapa do fogão de lenha.



Que cheiro bom!... Que fome!!!


Só mais 1 Km e....


Divisa de São Paulo – Rio de Janeiro,
onde dei alguns urros de alegria, hehehe.


Quase chegando ao destino final...


Cheguei!!!


Assim, as 15:30 horas, o Álvaro e eu chegamos a cidade de Parati, onde nos despedimos. Saí à procura de um Camping e encontrei um razoável na Praia do Pontal, onde montei minha "Casa Azul".





Trata-se do Camping Club. Após um belo banho, saí a passeio pela cidade histórica e adjacências, registrando em fotos alguns locais interessantes.




O amanhecer na Praia do Pontal.



Ciclovia.

8º. Dia. - 29/04. quarta-feira. Acordei cedo e fui para a Rodoviária comprar passagem para São Paulo e me informar como transportar a bike. Fui informado que a bike deveria estar embalada e com nota fiscal. Nota fiscal???!!! Sim, era necessário, pois sem ela o motorista poderia recusar o embarque da bike. Então informaram-me para ir a uma papelaria e comprar uma Nota Fiscal Avulsa e preenchê-la com meus dados e os dados da bike, pois só assim seria autorizado o transporte. Assim o fiz e as 13:40 embarquei com destino a São Paulo, num confortável ônibus da empresa Reunidas.





O passeio é lindo, as paisagens não podem ser descritas em toda a sua plenitude, nem mesmo em fotografias. Só mesmo fazendo esse pedal é possível sentir todo o prazer que há em pedalar naquela região. Apenas é necessário um bom preparo físico, uma bike bem montada e um pouco de dinheiro (não muito) para as despesas de estadias e refeições.


Paraty - RJ (Saudades...)


Agradeço a Deus e a todos que contribuíram para que eu fizesse esse belo passeio e chegasse em segurança ao meu destino.


Total pedalado: 408:70 Km
Baixas: Apenas o cubo traseiro quebrado.