Olás, meus amigos e amigas!
Nestas últimas semanas tenho feito bastante contato com o amigo cicloturista Emerson Lacerda (http://adhocbikers.blogspot.com.br/). Ele será meu companheiro de cicloviagem para Florianópolis, SC daqui há alguns dias. Nessas boas prosas surgiu o convite para pedalarmos juntos até a Vila de Paranapiacaba, no Município de Santo André, em São Paulo. Ora, como eu não sou bobo, aceitei o convite! Assim, o último dia de agosto foi de pedal em uma ótima companhia! Mas, vamos ao relato.
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31/08/20013 - O celular nem chegou a me despertar. A ansiedade era tamanha que minutos antes eu já estava acordado! 5:45 horas, pulei da cama.
Nós havíamos combinado de nos encontrarmos por volta das 7 horas da manhã, na casa do Emerson, onde tomaríamos o café da manhã juntos. Portanto eu tinha que pedalar uns 5 Km até a residência do amigo.
Passei numa Padaria aqui perto de casa, peguei dois pãezinhos quentinhos e coloquei 100 gr de mortadela em cada um deles. Uma mini garrafinha de guaraná completou o lanche.
Rapidinho venci os 5 Km que separam as nossas casas e por volta do horário marcado lá estava eu pronto para o café da manhã que a senhora mamãe do Emerson preparara com todo o carinho. Tomamos café, batemos papo e saímos para o pedal. Iríamos por Santo André, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, até chegarmos à Vila.
Assim que chegamos a Av. dos Estados furou o pneu traseiro da minha bike. Estranho que a câmara estava com um pequeno corte. Acho que foi "mordida" na hora de montar.
Cicloturistas de verdade consertam o pneu sorrindo!
Com a ajuda do Emerson em poucos minutos coloquei uma câmara nova e remendamos a velha para guardar de estepe.
Ói nóis na estrada novamente!
Prefeitura Municipal de Mauá, SP.
Um sábado de sol maravilhoso! Rindo e batendo papo logo chegamos a Ribeirão Pires.
Portal de Ribeirão Pires.
Olha a cara de "tristeza" do Emerson!
Demorou mas voltou, hein véio?!
Logo deixamos as cidades para trás e chegamos na Rodovia com acostamento largo e perfeito para cicloviajar. É fato que as tartarugas que cruzam o acostamento a cada, sei lá, 200 metros, incomoda um pouco, mas se removerem os carros acabam trafegando no acostamento! Pior ainda, né?!
Estradão sem fim!
Nossa, eu estava que nem criança em dia de Natal: Super feliz! Sentir o vento no rosto novamente, encher os olhos de verde, respirar um ar puro da Serra do Mar, ouvir os pássaros e estar em ótima companhia era tudo o que eu queria! E ali estava eu... que prazer! Um pouco fora de forma, reconheço, mas o que importa? O Emerson dissera que o ritmo da pedalada seria "o ritmo do último" e estava seguindo à risca, ahahahah! Com metade da minha idade e muito bem preparado fisicamente ele poderia me dar um banho de pedal, mas cicloturista de verdade pedala devagar, curtindo e sentindo a natureza. Paramos muitas vezes, para fotografar, tomar café, tomar água ou simplesmente para descansar um pouco.
E assim, logo chegamos ao trevo onde pegaríamos uma estrada de terra, que beira a linha férrea e iria nos deixar na parte baixa da Vila.
Comentei com o Emerson que, quando eu era menino se alguém me perguntasse o que eu seria quando crescesse eu diria: Maquinista de trem! O Emerson disse que adora trens e que responderia a mesma coisa! Meu finado tio Emílio era operador de telégrafo na Estrada de Ferro Sorocabana, Estação de Mairinque. Eu vivia ali vendo os trens de passageiros e os trens de carga com uma quantidade quase infinita de vagões passarem. Conversava com os maquinistas... era a década de 60, bons tempos!
Um véio, uma bike e um barração surrado pelo tempo. Uma composição perfeita!
A Nanika também estava satisfeita, encarando o asfalto,
terra e cascalho com a maior naturalidade.
A estrada é muito bonita, com algumas boas subidas e pedras soltas. Eu, como estou retornando agora depois de longa ausência, senti bastante as subidas, mesmo na "vovózinha" (coroa de 39 dentes na Nanika). Cheguei a empurrar a bike subida acima. O Emerson aproveitou uma dessas para pedalar na Nanika e ficou surpreso com a estabilidade da pequenina! Parece que a Soul vai acabar vendendo mais uma!
No caminho o Emerson já meu mostrou umas trilhas para chegar numas cachoeiras. Já estamos combinando de num futuro próximo chegarmos até elas para uma noite de acampamento. Eu amo acampar em meio a Natureza, fazer uma fogueira e passar horas contanto histórias à beira do fogo! E a janta e o café feitos na lenha então!
Paramos num lago de água cristalina para nos refrescarmos um pouco. O sol estava quente, não tórrido, mas estava quente e a poeira da estrada grudava no corpo suado.
Chegamos no Portal da Vila e já saímos disparando nossas objetivas.
Com 43,610 Km pedalados chegamos à Vila. Nem lembro a hora exatamente, mas sabíamos que era hora do almoço, afinal nossos estômagos estavam nos avisando.
Hum... parece que "alguém" está com fome!
Ô coisa boa! Arroz, feijão, salada, legumes, filé de tilápia e filé de frango grelhados. Comemos que nem gente grande! Pedalar é bom, mas dá uma fome!!! A Vila estava cheia de turistas, bikes, motos de trilha e praticantes de Trekking.
Mal acabamos de almoçar uma neblina envolveu a Vila. Dá para notar nas fotos.
Na foto abaixo, a casa do engenheiro inglês, construída no alto para que ele pudesse ver panoramicamente a construção da estrada de ferro. A expressão não nasceu aqui como eu pensava, mas conta-se que foi muito usada pelos trabalhadores da estrada de ferro. O engenheiro inglês aparecia lá no alto e os trabalhadores gritavam uns para os outros: "Vamos trabalhar, só para o inglês ver!" O engenheiro olhava e se recolhia satisfeito.
É, o ciclopasseio está muito bom, mas está na hora de voltar para casa.
Nós havíamos combinado de pedalar até Rio Grande da Serra e embarcarmos no trem, para fazer parte da viagem de volta. O Emerson desceria na Estação de Utinga e eu na Estação Ipiranga, de onde continuaríamos o pedal para nossas casas. A Estação Ipiranga, embora ficasse um pouco mais distante, me evitaria boas subidas.
E assim encerramos mais um prazeroso pedal.
Desci na Estação Ipiranga e parte do meu retorno foi pela Rua Cavour, onde morei por muitos anos. Fiquei emocionado ao passar por aquela rua que eu conhecia desde os idos de 1959. Revi a Escola no Parque Sevilha, que naquela época era de madeira pintada de azul, onde fiz parte do meu 2º ano primário. Doces lembranças.
Agradeço a Deus por mais essa oportunidade de curtir a beleza de Sua criação, acompanhado de um grande amigo e parceiro. Agradeço à Sra. mamãe do Emerson pelo lauto e delicioso café da manhã.
67 Km pedalados.
Um pneu furado e só alegria!

